Crônicas de Botequim

Metamorfose

Metamorfose

Rubem Penz

Li certa vez, não lembro mais onde, serem as três situações que mais nos causam stress a morte, a separação entre casais e a mudança de endereço. Curioso todas elas se parecerem, né? Entretanto, fora a incontrolável, incontornável e inconsolável morte, as situações restantes, por maior que seja o incômodo, podem vir a ser necessárias, convenientes, imperativas. Alvissareiras, até. Frutos de alterações naturais da vida em seu dinamismo mais ou menos controlado.

Mudamos de uma casa para outra por muitos motivos: a família cresceu (ou diminuiu); um novo emprego nos levou para outro lugar; as condições econômicas permitiram ascender (ou economizar passou a ser a ordem do dia), algo dentro de nós pede novos ares… Mortes ou separações também podem estar envolvidas, é claro. Assim, enfrentamos o stress da mudança por obrigação, porque é o certo a ser feito. E carregamos conosco a esperança de que as paisagens – e as circunstâncias – sejam compensadoras.

A melhor das várias mudanças é aquela que permite olharmos para trás e dizer: de onde partimos, com toda a certeza, fomos muito felizes.

A melhor das várias mudanças é aquela que permite olharmos para trás e dizer: de onde partimos, com toda a certeza, fomos muito felizes. Vivo este momento. Lembro de cada detalhe da primeira reunião quando a Oficina Santa Sede endereçou sua produção literária na Editora Buqui. Havia conhecido Gustavo Lima em uma feira de inovação e, da quase despretensiosa conversa, nasceu uma parceria de sete anos, doze livros, muitos sorrisos e incontáveis êxitos. O salto de qualidade das publicações foi estupendo, ascendente e, em consequência, profícuo. Mais do que abonou o stress à época de nossa mudança: premiou sua assertividade.

Porém, novos horizontes, desafios e ambições surgiram para o projeto, os quais nos levam agora para uma nova casa – a Editora Metamorfose. Um movimento justificado por coesas razões, também por convicções firmes. E nenhuma delas, diga-se em justiça, desmerece a casa antiga. Ao contrário: pesa sobre os ombros a perene responsabilidade de continuar lançando no mercado livros esmerados acima da média – um legado construído por várias mãos. Enorme gratidão aos queridos Gustavo, Vanessa, Cristiano, Humberto e Rafael (lá no começo), os principais artífices de nossas publicações.

Seguro, confio plenamente na parceria firmada entre Oficina Santa Sede & Editora Metamorfose. Só quem me conhece sabe, todavia, o quanto estressante foi tomar este rumo. Hoje, habita em meu coração tanto o ânimo para escrever novas conquistas quanto a nostalgia inerente ao processo de mudança. O tempo, mestre da crônica e da vida, há de pacificar os polos. Nosso futuro virá em asas de borboleta, com mangas arregaçadas e mãos às obras!

Facebook Comentários

Etiquetas
Mostrar mais

Artigos relacionados

2 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também

Fechar
Botão Voltar ao topo