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Sempre, às vezes, nunca

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Sempre, às vezes, nunca

Rubem Penz

Sempre + sempre = sempre. Funciona assim: você sempre vai a determinado lugar, seja uma feira, um bar, um comércio. E amigos seus também. Logo, vocês estão sempre se encontrando, e isso é uma alegria imensa. Coisa boa nessa vida é encontrar amigos.

Às vezes + sempre = às vezes. Muda um pouco: você às vezes frequenta lugares nos quais seus amigos vão sempre. Com isso, mesmo que eles se encontrem sempre, encontram-se com você toda vez que você lá está, e isso também é muito bacana.

Às vezes + às vezes = às vezes. Seguindo a equação: tanto você quanto seus amigos são dados a irem a lugares em comum, mas não a toda hora. Ainda assim, a frequência de encontros é muito satisfatória, e concorre para isso aquele pequeno ar de surpresa: “Quanto tempo! Que bom reencontrar você”.

Sempre + nunca = nunca. Entra a terrível variável: mesmo que você esteja sempre em determinados lugares, seus amigos nunca aparecem por lá. Ou, com eles sempre presentes, é você que anda sumido. Logo, lamentavelmente, nunca se encontram.

Às vezes + nunca = nunca. Piorou: uma frequência inconstante, quando encontra a ausência constante, também é um desastre. E é pior porque pode deixar a gente com aquela sensação de “justo quando eu vou, ninguém foi”.

Nunca + nunca = nunca mais. Isolamento perfeito: ninguém sai de casa e a chance de encontrar com os amigos despenca para zero. Ou, para não ser exagerado, talvez um ou outro apareça em seu velório (ou você veja eles esticados no caixão). O que não conta como bom encontro.

A historinha matemática acima serve para que se possa entender a dimensão de despencarmos para o nunca mais nas voltas que costumávamos fazer pela cidade. Nos passeios, na ida ao Mercado Público, teatro, Brique, cinema, bares… O impacto do medo, da preguiça e da falsa vida social das redes virtuais é uma vida com poucos encontros. Ou nenhum. E isso, para mim, não é vida: é morte.

PS: sempre que saímos de casa para viver o que a cidade oferece, encontramos amigos. Às vezes uns, outras vezes outros. Por isso, nunca nos arrependemos.

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