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A mãe de todas as crises

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A mãe de todas as crises

Rubem Penz

Para celebrarmos o Dia das Mães deste ano, nossa equipe preparou uma série muitíssimo especial. De hoje até domingo, este programa apresentará trechos de uma entrevista exclusiva com a Mãe de Todas as Crises. Num incansável esforço de reportagem, buscamos fontes seguras e indicações preciosas para chegar até ela para, frente a frente, fazermos as perguntas mais diretas e obter as respostas mais francas da história da imprensa nacional. Com medo de represálias, nossa repórter estará com a voz distorcida e a imagem borrada.

 

R: Boa noite. É uma experiência indescritível para mim entrevistar a senhora.

MTC: Que isso, minha filha… Estive a vida inteira aqui para atender vocês. É que ninguém nunca se preocupou em pedir opinião. E eu sempre gostei da ideia de ajudar.

R: Como assim? Ninguém? Nunca!?

MTC: Incrível, né? Deve ser uma questão cultural. Machismo. Só correm atrás dos pais das crises. Ah, e eles são tantos… Deixa eu te contar que nunca me faltou companhia para gerar uma nova crise. Como gostam!

As pessoas não podem ver as coisas em ordem, um nascer do sol bonito, as flores, uma lua cheia… Precisam complicar.

R: E a senhora confirma ser a mãe de todas?

MTC: To-di-nhas.

R: Desde a primeira, a…

MTC: Quem disse que ela foi a primeira?

R: Mas a senhora nem sabe qual eu falaria.

MTC: Pois erraria. Tenho certeza. Minha primeira nem o pai dela sabe. Nem ninguém. Assim como jamais saberão qual será a última. Aliás, dessa nem imagino quem será o pai. Ele talvez ainda nem tenha nascido (uma pequena risada contida).

R: E como se explica tamanha fertilidade?

MTC: Ih! Muitos já tentaram explicar. Os teóricos, sempre eles. Enchem os livros com suas teses. Mas a resposta pode ser bem singela: é da nossa natureza, sabe? As pessoas não podem ver as coisas em ordem, um nascer do sol bonito, as flores, uma lua cheia… Precisam complicar. Elas têm ganância, têm inveja, têm medo. E ódio. Fossem todos generosos, ninguém apareceria aqui em casa. Assim, não teríamos novas crises.

R: Mas isso não seria ruim para a senhora? Sei lá, padecer de solidão?

MTC: Solidão!? Não fala bobagem, meu anjo! Eu preciso é de descanso. Agora, dá uma licencinha que vou ali parir outra crise e já volto. Ai, quem diabo foi inventar essa tal de Internet…

 

No próximo programa, mostraremos a Mãe de Todas as Crises alimentando sua mais recente criação e, com exclusividade, ela revelará seu verdadeiro pai. Até amanhã, neste mesmo horário. Fiquem agora com a mensagem dos nossos patrocinadores.

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