Crônicas de Botequim

Receita para uma Noite de Autógrafos feliz

Receita para uma Noite de Autógrafos feliz

Rubem Penz

Ingredientes:

Um livro inédito \ Um autor (livro individual) ou vários autores e um organizador (livro coletivo) \ Uma data, um horário e um endereço público \ Convites & Notícias \ Uma caneta especial (por autor, diga-se) \ Uma superfície plana (mesa ou assemelhado) diante de uma cadeira \ Um ponto de venda \ Uma fila de futuros leitores

Modo de preparo:

Antes de marcar sua noite de autógrafos, certifique-se de o autor, autores ou organizador terem em mãos um livro inédito a ser lançado – aquilo que parece óbvio nem sempre coincide com os prazos de produção gráfica, sob o risco de desandar o processo. Tão mais cedo possuírem o livro, e tão mais orgulhosos dele, mais feliz será a Noite de Autógrafos.

Com o livro assegurado, e para marcar a data ideal, leve em consideração fatores previsíveis: datas comemorativas, feriadões, jogos decisivos de futebol e/ou outros eventos capazes de impedir ou dificultar a presença de futuros leitores. O horário deve corresponder ao máximo com aquele destinado ao lazer das pessoas, e ser elástico o suficiente para agradar os mais jovens, os mais velhos e os bem mais velhos. Por fim, escolha um endereço de fácil acesso, de preferência consagrado, e que harmonize com a obra a ser lançada (por exemplo, evite bordéis para obras sacras). Atenção: espaços ao ar livre correm riscos meteorológicos – tenha plano de contingência.

A seguir, promova a Noite de Autógrafos com a qualidade máxima e a obstinação necessária: para a primeira, imagens, releases e convites claros e contendo todas as informações e corretas (revise duas vezes); para a segunda, o bom e insubstituível porta a porta (tela a tela).

Na noite aprazada, busque nos pertences íntimos a “caneta especial de autógrafos”. Ela, sozinha, pelo caráter simbólico, forçará o autor a escolher uma roupa condizente com a pompa e circunstância do momento, ajudará na decisão anterior de ir ao salão de beleza e/ou barbeiro, assim como garantirá, ao menos, o banho. Também mandará aos leitores a imagem certa de quão importante é o evento para o autor (sim, acredite, eles reparam).

Modo de servir:

Acomode o autor/autores (acomode-se) com a caneta em cadeiras confortáveis atrás de uma superfície plana previamente disposta diante do espaço reservado para a fila de leitores. Tenha clara a indicação do ponto de venda do livro e assegure que ele tenha troco e acesso a diversos cartões de débito ou crédito, além de bom número de exemplares e papelzinho para escrever o nome do comprador (salvará lapsos de memória). Dependendo da dimensão da fila, o autor dosará o tamanho da dedicatória (inspirações previamente pensadas) e o tempo de bate-papo. Jamais recusar selfies. Caso tenha contratado um fotógrafo, ele deve ser ágil. Banner com a capa do livro, vaso de flores sobre a mesa e outros adornos, desde que discretos, são opcionais bem-vindos.

 

Esta receita serve tanto para autores iniciantes quanto para consagrados. O tempo autografando sofrerá algumas interferências incontornáveis. Porém, quanto mais fiel ao texto acima, tanto menos indigesto será o balanço que virá depois, permanecendo seu sabor perene na memória.

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