Crônicas de Botequim

Cenas para sempre na memória

Cenas para sempre na memória

Rubem Penz

A teledramaturgia e o cinema produzem, de tempos em tempos, cenas icônicas as quais marcam gerações. Tão fortes e representativas que, em qualquer revisão histórica, elas serão selecionadas tanto por quem está encarregado de fazer as escolhas, quanto por nós, público. Dois exemplos clássicos: a dança dos pãezinhos de Charles Chaplin (cinema) e a briga de Fernanda Montenegro e Paulo Autran durante o café da manhã em Guerra dos Sexos (novela).

Confesso que as minhas preferidas são muitas e, para citar apenas algumas, precisaria fazer um recorte temático. Por exemplo, cenas com musas. Com Sônia Braga temos duas, mas só a primeira me interessa: Gabriela subindo no telhado. Meu Deus! Era 1975 e eu vidrei naquela sensualidade brejeira da personagem. Logo depois, em 1976 ou 77, Jessica Lange tem o tomara-que-caia baixado pelo gorila em King Kong para o delírio de um rapazola de 12 anos que estava, pela primeira vez, indo sozinho com amigos assistir a um filme. Aquilo deve ter acelerado alguma coisa na puberdade.

Para não ficar apenas nas lembranças quase impúberes, guardei na memória o olhar intruso para o despir-se casual de Sigourney Weaver, respiro capaz de amainar a raiva que sentia no momento daquele gato de Alien, o oitavo passageiro. E, claro, o cruzar de pernas “mais famoso do mundo” de Sharon Stone em Instinto Selvagem. Quatro é pouco, a ponto de deixar de fora a Mulher Gato (tanto Julie Newmar da infância quanto Michelle Pfeiffer da madureza – ah, aquela lambida…). Enfim, louvemos as artes dramáticas!

O grande problema desta crônica, porém, foi ela ter escapulido sem querer para as motivações eróticas. Acontece que havia planejado transferir para a vida da gente essa noção de eternidade de momentos, e fiquei tímido, agora. Ainda assim, convido a todos – e todas – para buscarem em suas lembranças algumas passagens guardadas no mais recôndito porta-joias. Cenas mais ou menos explícitas nas quais vocês foram protagonistas ou expectadores privilegiados. Minha, hoje, conto uma só, ainda que seja uma das mais conhecida de todas: quando a Vanessa ergueu-se da cadeira para cumprimentar a Cacaia no Café do Porto. Era nosso primeiro encontro, por assim dizer. E eu me perdi de paixão. Daria uma boa cena filme. Desde que com o Brad Pitt, talvez.

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4 Comentários

  1. Rubem, sensacional tuas lembranças. Nos levam junto…
    A cena de Gabriela ficou “grudada” em nossas memórias!, com certeza, lembro até de onde estava quando a vi. Bj

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