Cobras na Cabeça

Crônicas (ir) reverentes

Uma homenagem aos 40 anos de As Cobras, de Luis Fernando Verissimo

Arrastava-se o ano de 1975, e o bicho estava pegando.
Entre outras cobranças, o Brasil clamava por liberdade. Foi então que “As  Cobras” saíram da toca para destilar seu bom veneno. Já cronista consagrado, roteirista e, quando sobrava tempo, saxofonista, o genial Luis Fernando Veríssimo deu vida ao seu par de ofídios que, sozinhos, já davam conta de externar muitas das nossas inquietações. Não satisfeito, o autor foi somando outros bichos, cada qual com seu toque de personalidade. Assim, sob o olhar curioso e irreverente de suas pequenas cobras, desenhou como poucos o cenário daqueles anos em que deixamos para trás o autoritarismo e reinauguramos a democracia.

Arrasta-se o ano de 2015, e, para comemorar o quadragésimo aniversario de “As Cobras”, a Santa Sede: Crônicas de botequim poe seus boêmios escritores a reverenciar LFV, um dos autores definitivos no gênero. Para cada uma das doze tirinhas selecionadas, seis crônicas inéditas. Para cada leitura no botequim, o surpreendente rastro perseguido, gerador de muitos e novos sentidos. Porém, uma constante: nosso país ainda tem muito o que aprimorar em termos de sociedade. Afinal, a atualidade dos temas suscitados nos faz crer que, mesmo na democracia, o bicho segue em nosso encalço. Entre ficar ou correr, escolhemos refletir e criar. Nasce assim este livro-tributo, Cobras na cabeça: crônicas (ir)reverentes. Peçonhas a parte, ainda (e sempre) é tempo de cobranças!

cobras
Rubem Penz
(organizador)

As Cobras são o produto da combinação do meu gosto por quadrinhos com minhas limitações como desenhista. Cobra é muito fácil de fazer, só tem pescoço. Elas começaram no Zero Hora, de Porto Alegre. Era o tempo da censura, e muitas vezes se podia dizer com desenhos o que não dava para se dizer com textos. As Cobras dão palpite sobre tudo, mas prefiro as cobras filosóficas, comentando a insignificância dos répteis – incluindo os répteis humanos – diante do Universo..

— Luis Fernando Veríssimo —

OS CRONISTAS

OS CRONISTAS COMPÕEM A MASTER CLASS SANTA SEDE - VETERANOS QUE RETORNAM À MESA PARA NOVOS DESAFIOS LITERÁRIOS. EM OUTRAS PALAVRAS - E COMO PODE SER CONFERIDO NAS MINIBIOGRAFIAS - SÃO ELES, TAMBÉM, COBRAS.

Clique nas imagens e leia a bio-cobra de cada autor

  • Tiago Pedroso
    Tiago Pedroso
  • Luciana Farias
    Luciana Farias
  • Zulmara Fortes
    Zulmara Fortes
  • Cris Lavratti
    Cris Lavratti
  • Rubem Penz
    Rubem Penz
  • Camila Leão
    Camila Leão
  • José Elias Flores Jr
    José Elias Flores Jr
  • Gerson Kauer
    Gerson Kauer
  • Roberto Marques
    Roberto Marques
  • Luciana Villa Verde
    Luciana Villa Verde
  • André Hofmeister
    André Hofmeister
  • Ronaldo Lucena
    Ronaldo Lucena
  • Felipe Basso
    Felipe Basso
  • Rosane Schotgues Levenfus
    Rosane Schotgues Levenfus
  • Nara Accorsi
    Nara Accorsi
  • Gabriela Ferreira
    Gabriela Ferreira
  • Linda Grossi
    Linda Grossi
  • Dora Almeida
    Dora Almeida
  • Giancarlo Carvalho
    Giancarlo Carvalho
Tiago Pedroso

Pedrosus criare – (Tiago Pedroso) Mais conhecida como cobra criada. Sim, existe sim. Posso lhes garantir, pois acabei de criá-la. Sobrevivente do Sarandirú, essa cobra de pequeno porte, cor de cuia, tem a estranha característica de trocar a barba ao invés da pele. Apesar da poderosa peçonha que injeta em suas vítimas através do olhar, trata-se de um animal doméstico, pacato, sempre escoltado por suas quatro cobras fêmeas. Rasteja tanto pela Cidade Baixa como entre os mais opulentos ambientes com igual naturalidade. Utilizando da língua bifurcada, alimenta-se do processo criativo e leituras constantes. De hábitos preferencialmente noturnos, pode também ser vista ao amanhecer, voltando para toca, ouvindo as últimas estrelas.

Luciana Farias

Naja lucianae (Luciana Farias). Espécie inexplicavelmente encontrada no Brasil. Considera deselegante morder sua vítima, pelo que prefere esguichar seu fatal veneno à distância, em doses certeiras. Business-cobra, serpente-mãe e esposa-ofídica, infla o peito e vai às alturas para defender os seus. Finge que dança conforme a música. Por prazer, utiliza-se de palavras peçonhentas e deleita-se em alfinetar a mediocridade. Agradam-lhe textos de cobras malditas desta e de outras épocas.

Zulmara Fortes

Micrurus fortesella (Zulmara Fortes), mais conhecida como coral verdadeira, é uma cobra de pequeno porte, com dificuldades digestivas, que fica entorpecida após as refeições e adora tirar uma soneca. Tem olhos pequenos e visão deficiente, o que compensa com agudo senso de observação e óculos de cores e tamanhos diversos. Seu veneno é composto de letras e sentimentos. Gosta de confundir suas presas com meias palavras e pequenas artimanhas. É capaz de paralisá-las por longo tempo, provocando reflexão, susto, ternura e outras sensações. Difere das outras cobras por não preparar o bote. Age às claras, dando tempo de fuga e defesa às vítimas. Só ataca para se defender. Vive meio emburacada e solitária, mas quando sai do esconderijo gosta de exibir seus anéis coloridos e brilhar na ribalta. Precisa que as pessoas estejam bem próximas dela, para poder destilar seu veneno e para que seu jogo de palavras se espalhe e tome conta dos leitores, surtindo o efeito desejado.

Cris Lavratti

Helicops lavrattis (Cris Lavratti) é uma cobra d’agua da Mata Atlântica, sul do Brasil. Extremamente dócil. Empenhada em fazer campanhas para marcas positivas desde os tempos da publicidade, agora, na escrita, procura levar o amor por onde passa. É uma cobra com hábitos diurnos, mas já foi vista flutuando por aí a noite. Excelente nadadora, dizem que por ser filha de Iemanjá. Gosta muito de rios e lagos, mas quando vê um mar pela frente, sente-se viva. Afinal, a vida é isso, o ir e vir das águas, os ciclos, as marés, a correnteza, tudo como verdadeira fonte de inspiração. Apesar de gostar muito de andar em grupo, consegue passear submersa vários minutos. Quando molestada, torna-se agressiva. Porém, sua mordida é inofensiva. Não é uma cobra venenosa. Ela acredita que o veneno faz mais mal a quem o carrega. Por isso, optou por ter a alma livre.


Cris Lavratti é publicitária e tem um caso de amor com as palavras. Mas foi em 2012, que começou a se aventurar na carreira de escritora ao participar da antologia Santa Sede – Crônicas de Botequim (Ed. Literalis). Em 2013, lançou o livro Olhar do Cotidiano (Ed. Buqui), uma coletânea de crônicas e contos. E em 2014, Transbordei (Ed. Buqui), seu primeiro romance. Em 2015, As Mulheres e o AMOR (Ed. Giostri), uma coletânea de crônicas e meu primeiro livro infantil: Nariz Narizinho Narigão, com ilustrações da Paula Münch (Ed. Giostri).

Rubem Penz

Crotalus penzi (Rubem Penz) é uma cascavel sul-americana que carrega enormes guizos – uma bateria inteira! – em sua cauda. Isso porque já trocou várias vezes de pele: já foi professor de educação física, redator publicitário, dono de uma metalúrgica especializada em antenas… Possui hábitos versáteis: é uma cobra vista com frequência durante o dia mas, com igual articulação, frequenta a noite. Se alimenta de sonhos, de projetos, de palavras; ritmos e melodias. Inocula seu veneno que, estranhamente, ao invés de paralisar a vítima, põe ela a se mover. Depende muito do contato pessoal para sobreviver e, em tempos virtuais, reza para não estar em extinção. Cascavelzinha facilmente encontrada em bares, é atraída por boa cerveja, papo animado e amizade sincera. Inofensiva. SQN.

Camila Leão

Amaru de Leon (Camila Leão) não tem nome científico por ser cobra mitológica. É mais conhecida em regiões de grandes altitudes. Apesar disso, seu domínio é o subterrâneo, o interior da Terra, o Ukhu Pacha, no dentro mais dentro do olho cintilante.  É no mergulho mais profundo que acredita encontrar a si. Para ela, é necessário entrar no barco de Caronte, flertar com a própria morte, imergir na alma, encontrar o dentro para desbravar o fora. Agarrar-se às paredes do silêncio e expandir em um novo nascer, em um ciclo eterno. Ao final de cada jornada, troca a sua pele. E vive hoje esse despertar. Conheceu a língua dos poetas e agora mergulha no conhecimento das leis do homem e do mundo. Serpenteia por entre linhas, rimas, contos, crônicas como se toda a sua sorte fosse contada na métrica de um soneto, como se, a cada crônica, contasse do Chronos, da vida, da linha que se mistura com o horizonte, com a Pachamama, com o seu próprio eu, que revolve a terra e que lhe come a carne, com a vida que pulsa no peito, com o sagrado, Hanac Pacha, condor que tudo vê. De tudo isso, resulta sempre um eu novo, que é terra e que voa para o infinito.

José Elias Flores Jr

Synbranchus floriatus (José Elias Flores Jr) vive se passando por cobra, mas de serpente o muçum tem pouco. Peixe viajado, anda com frequência por lugares distantes, mas ainda tem na Zona Sul de Porto Alegre o seu cantinho no mundo. De natureza introspectiva e quase reclusa, aprendeu a gostar de também viver em grupos, os quais atualmente escolhe com muito rigor. Embora seja pacifico, causando mais medo pelo seu aspecto de serpente do que por ter atitude de uma, não foge de encrencas e nem de problemas. É encontrado em águas superficiais, lamacentas, cavernas ou mesmo em grandes cachoeiras, normalmente acompanhado de uma boa leitura. Versátil e adaptativo, tem a capacidade de respirar com naturalidade dentro d’água ou na superfície, aproveitando o que há de melhor nestes dois ambientes. Busca se alimentar de bom-humor, senso crítico e lucidez, a partir do hábito que mantém de tentar sempre entender os porquês de tudo.


Nascido em 1975, José Elias Flores Jr é autor de A Luta Além dos Ringues – A Emocionante Trajetória de Muhammad Ali (2001), livro que trata da vida e da relevância social deste ícone dos nossos tempos. Também foi o editor e redator do site especializado em boxe Ringue (2002-2008) e participou como cronista do livro Santa Sede – Crônicas de Botequim(2013).

Gerson Kauer

Criatiphicus kauergraphicus (Gerson Kauer) é uma serpente de porte médio que pensa ser grande. Às vezes tem escamas e as vezes veste a pele de outras cobras que cria. Está sempre em movimento e gosta de admirar o desenho dos seus rastros. Possui veneno, que distribui generosamente. Mas prefere, em vez de matar, deixar suas presas ligeiramente entorpecidas a sua volta. Assim garante alimento criativo constante, sugando suas essências. Vive em uma dicotomia: Gosta dos hábitos noturnos mas adora a luz do conhecimento, por isso se adaptou a vários ambientes e a nenhum. Transita entre o desenho, a escrita, a publicidade e diversas atividades criativas, sendo atraída pelo calor da arte. Não tem habitat definido, mas é facilmente encontrada em mesas de bar. Gosta de conviver com outros ofídios, répteis e até com mamíferos, mas passa longos momentos na toca fazendo sua digestão. Seus hábitos alimentares são diversos, gosta de sólidos e líquidos. Alimenta-se inclusive de venenos alheios.

Roberto Marques

Ophiophagus marquesi (Roberto Marques) é uma serpente de origem asiática que habita ambientes tropicais. Cumprindo o significado de seu nome, este foi um espaço onde alimentou-se de outras cobras, porém em âmbito lítero-consonante. Também é conhecida como cobra-real. Não por alguma realeza que possua, mas por uma realidade que venha a chamar sua atenção. Em espreita, a captura para depois metabolizá-la em forma de crônica, canção ou poesia. Não tem uma índole agressiva, possuindo um forte instinto quanto ao cuidado parental. É a única de sua espécie que constrói ninhos, talvez por ter em sua gênese uma natureza engenheira. Teve seu ovo chocado, inicialmente, no meio musical, o que explicaria a razão de ser facilmente hipnotizável por encantadores de serpentes e suas melodias.

Luciana Villa Verde

Spilotes villavertorum (Luciana Villa Verde) é uma serpente não-peçonhenta que pode ser encontrada na América do Sul. Já foi vista em terras além-mar e é conhecida por se adaptar a ambientes distintos do seu de origem. Apesar de aparentemente inofensiva e pacata, pode tornar-se agressiva quando sente seu território ameaçado e desrespeitado. É na pele de cronista que sai da mata para juntar-se às outras espécies. Na mesa do bar, aprende, divide, cria. Entre histórias e risadas conhece um pouco mais de si mesma e daqueles com quem divide seu habitat. Observadora e intuitiva, acredita que a sensibilidade no olhar transforma o mundo, rende boas escritas e dá forças para encarar a vida.

André Hofmeister

Philodryas andrei (André Hofmeister) é uma serpente natural da América do Sul oriental, mas, por achar que viagens são o melhor investimento que existe, pode seguidamente ser encontrada em qualquer parte do mundo. De hábitos prioritariamente diurnos, matutinos em especial, é uma espécie caseira, que cultiva o hábito de viver em família. Recentemente, celebrando a chegada dos cinquenta anos, decidiu que já era hora de trocar a pele por outra maior, grande o suficiente para abrigar um antigo projeto. Cobra economista por formação, em meio à objetividade das avaliações econômicas, da matemática financeira e dos planos de negócios, abriu espaço em sua vida para o calor das palavras escritas. E descobriu que cobra que escreve consegue dar maior vazão à crítica e às emoções. Dizem que foi uma ancestral sua que passou a conversa em Eva, no paraíso. Graças ao bom uso de anos de terapia, contudo, não carrega qualquer sentimento de culpa.

Ronaldo Lucena

Leimadophis Lucenae, (Ronaldo Lucena) é uma cobra-capim que vive na América do Sul. Apesar de gostar do calor, é encontrada nas regiões frias. Essa, especificamente, desceu a serra de Caxias do Sul para colocar seus conhecimentos à disposição da medicina na capital gaúcha. Gostaria de ter veneno em seus dentes maciços e não fugir de ameaças. Quando escreve seus caminhos, tenta surpreender e asfixiar suas presas. Já deu plantões noturnos mas hoje prefere a luz do sol. A pesca é fonte de alimento para o corpo, as viagens são para a alma.  Apesar de rasteira, sonha em ter uma floresta. Trata os filhos-textos dentro do próprio corpo, liberando-os para vida quando os percebe bem formados. A peculiaridade da família é a capacidade de desenvolver os quatro tipos de movimentos de locomoção das serpentes: ondulação lateral do conto; movimento de concertina da música; locomoção retilínea da crônica e em zig-zag da poesia.


Ronaldo Lucena lançou em 2014 o livro de contos “A Escrita do Chão”. Participou da Safra 2012 da Santa Sede.

Felipe Basso

Hypsiglena bassi (Felipe Basso), conhecida por serpente noturna, tem a mania de desaparecer da vista de todos, reaparecendo de modo tão misterioso quanto sumiu. Choca sua produção entre páginas de Kafka, Dostoievski, Leminski (não à toa se tornou alguém consoante ao tilintar dos copos e ao torpor da fumaça). Destila veneno desde a primeira leitura de Luis Fernando Verissimo – quando decidiu se dedicar à palavra escrita. Jornalista da linhagem de Braga, amante da família de Maria e herdeiro de Vinícius para a boemia, é cobra criada na Nação Missioneira e se estica por todo o horizonte literário. Transforma vícios em salvação, salvação em arte e arte em convívio. Amigo dos amigos, é um ofídio de tão rara estirpe que ele mesmo, por vezes, acredita estar extinto.


Felipe Basso é co-autor do livro “Jun#o – Fragmentos de uma revolução flashmob” e co-organizador e um dos cronistas do livro  “Maria volta ao bar”. Também participou como cronista do livro Santa Sede – Crônicas de Botequim 2011.

Rosane Schotgues Levenfus

Salamanta levenfuse (Rosane Schotgues Levenfus), conhecida como cobra arco-íris, aprecia o caleidoscópio humano. Injeta seu veneno em forma de cores, resgatando vida naqueles que padecem de depressão, ansiedade e outros males que acometem os bípedes. Na ponta da sua cauda há uma bússola que facilita orientar jovens serpentes em seu processo de escolha profissional e desenvolvimento de carreira. Realização é a especialidade dessa cobra que tem por habito caçar sonhos e transformá-los em realidade. Não importa quão distante pareçam estar, persegue suas presas de forma obstinada. Embora não tenha pressa, consegue rastejar a uma velocidade de 8km/h e gosta de participar de rústicas em meio a víboras, jararacas, cascavéis e ofídios de todas as espécies. Como ser que habita as selvas, sua próxima caça não poderia ser outra que não a corrida de São Silvestre. Já publicou livros técnicos, mas seu antigo sonho de publicar crônicas… Esse se tornou realidade. Aqui. Agora!


Rosane é autora do livro “Diário de uma ex-gorda” – AGE 2015, além de colunista no site http://www.correrefacil.com.br/ e autora de diversos títulos relacionados à Orientação Profissional e de Carreira.

Nara Accorsi

Chrysopelea accorsiella (Nara Accorsi), conhecida como serpente voadora. Só injetam veneno quando ameaçadas. Quando decide por um destino, e as tentações são tantas, segue rastejando pela superfície áspera das árvores até chegar ao ponto desejado. Neste momento, transforma seu corpo em pseudo asa côncava, ou, em último caso, se utiliza da GOL, TAM ou outra companhia aérea a fim de voar e posar com segurança. No ar, enquanto desliza, aproveita para poupar energia. Distância, para ela, não se constitui em problema, mas em aventura. Segundo especialistas, seu voo se justifica pela fuga de predadores. Outra tese é a de simplesmente se deslocar de um lugar a outro, como meras viajantes fazendo turismo pela floresta. Chrysopelea são diurnas, o que significa que caçam durante o dia, se alimentando de lagartos de João Ubaldo Ribeiro, rãs de Aristófanes ou ratos de Dyonelio Machado. Entretanto, isto não impede de encontrá-las, eventualmente, num boteco da Cidade Baixa, na companhia de outras víboras.


Nara Accorsi participou de três antologias: em 2012, de contos com Valesca de Assis, Ponto de Partilha II; de crônicas com Rubem Penz, Santa Sede, Crônicas de Botequim – safra 2012 e, em 2014, de contos com Caio Riter, Lavra Palavra.

Gabriela Ferreira

Pseudoboa ferrelia (Gabriela Ferreira), conhecida como muçurana, é uma serpente que vive na América do Sul, muito identificada com a cultura rio-platense. O seu habitat natural são as matas e a vegetação rasteira e fechada, podendo ser vista frequentemente pelos lados da serra. É de pequeno porte, mas de grandes ideias, e vive elucubrando coisas diferentes para fazer. A muçurana não é um animal peçonhento, sendo inclusive conhecida como cobra-do-bem. Está sempre buscando resolver problemas, e para isso, trata de usar sua capacidade de relacionamento e coordenação para conectar recursos e habilidades das pessoas em prol de um propósito maior. É ofiófaga, ou seja, sua alimentação baseia-se principalmente em outras cobras. Por isso, apesar de muito caseira e de gostar de ficar na sua toca, adora estar rodeada de amigos, pois é o convívio com outras cobras que alimenta a sua alma. É uma serpente forte, que mata suas presas por constrição: intensidade é sua marca. Observadora, está iniciando a traduzir em crônicas sua forma de ver o mundo.

Linda Grossi

Liophis grossie (Linda Grossi) é uma cobra verde, que nunca amadureceu. Nativa das regiões frias do país, é encontrada faceira junto às matas de araucárias. Não gosta do rótulo de carnívora, apresenta hábitos alimentares diversos – gosta de comer bem. De boa paz, embora peçonhenta, só mostra seu veneno quando vê suas cobrinhas ameaçadas. Gosta de viver em comunidade e de ver o ninho cheio de cobras familiares e amigares – todas as espécies são bem-vindas. É capaz de se enrolar toda ao redor das pessoas, mas com o único objetivo de dar um abraço bem apertado, quentinho e carinhoso. Com hábitos matutinos, acorda sinuosa e cantando – passa por cima do mau humor de qualquer um. Engenhosa por natureza, desenvolve seu lado esquerdo do cérebro gerindo projetos científicos.  Emotiva por natureza, desenvolve o lado direito transformando linhas brancas em traçados crônicos.


Linda Grossi é autora de “Meu Anjo Gabriel” e “Luiza – Bom dia, flor do dia”. Participou como cronista das antologias “Santa Sede – Crônicas de Botequim” (2013) e “Maria Volta ao Bar” (2014).

Dora Almeida

Bothrops Alternatus dorae (Dora Almeida), mais conhecida como Cobra Cruzeira, é comum na região da Campanha. Dizem que seu veneno é muito agressivo, mas dorae esconde bem esse lado peçonhento. Gosta de observar as pessoas e só dá o bote se for para defender suas cobrinhas de estimação. Há dois anos, dorae tem apresentado um comportamento estranho: deu para contar e escrever histórias. Solitária, mas comunicativa, de hábitos crepusculares e noturnos, saiu em busca de tratamento. No antigo charco onde habita, hoje Cidade Baixa, acabou descobrindo um ninho de cobras, de todas as espécies, que sofrem (sofrem?) do mesmo mal. Ali, entre uma cerveja e outra, leem seus escritos. A conversa corre solta e o tratamento é garantido. Sente-se bem melhor com sua doença crônica.


Dora Almeida participou da Oficina Literária “Porto Alegre soa assim”, ministrada por Rubem Penz, e do livro de crônicas “Maria volta ao bar”.

Giancarlo Carvalho

Atractus Spinalis carvalhus (Giancarlo Carvalho) é uma cobra de tamanho pequeno e cor avermelhada, enfeitada de estrias escuras e olhos verdes, descoberta recentemente nas Minas Gerais. Depois de muito rastejar, escondida atrás de uma mesa de um banco qualquer, decidiu migrar para Porto Alegre, onde serpenteou por algumas atividades burocráticas até conseguir um lugar ao sol. Atrevida, conseguiu se infiltrar na literatura, lançando um romance mitológico sobre a capital gaúcha, até se esgueirar para a crônica. Hoje, dona do próprio e inexistente nariz, raramente sai da toca. Mas, quando o faz, gosta de estar cercada de semelhantes ou diferentes espécies, e se diverte subvertendo os sibilados à sua volta. Mas não impõe o seu, pois não é agressiva, desde que não seja atacada com hipocrisias e peçonhas sem fundamento. Apesar de oriunda do cerrado, detesta a secura, e está sempre se hidratando com uma cerveja gelada. Alimentos preferidos: criatividade, frutas e pequenos pedaços de pão. De queijo.


Giancarlo Carvalho é autor do romance “As Mitologias Roubadas – Os 12 Trabalhos”. Participou como cronista na edição 2011 da Santa Sede – Crônicas de Botequim e da coletânea de crônicas “Crônicas de Viagem”, de 2014.

Tenho um problema curioso para um desenhista. Não sei desenhar. Isto não me impede de insistir com o desenho, apesar dos conselhos de amigos, das indiretas da família e de telefonemas ameaçadores

— Luis Fernando Veríssimo —

Galeria

No Apolinário, escrevendo e acordando as Cobras... E as clássicas tirinhas, inspiradores dos textos.

Em 1997, ao completar 60 anos, o Veríssimo concluiu que

…não ficava bem um sexagenário desenhando cobrinhas.”

— —
E as aposentou.

Lançamento

CONFIRA AS DATAS E EVENTOS DE LANÇAMENTO DO LIVRO

Na 61ª Feira do Livro de Porto Alegre

12/11 – quinta-feira – 20 hs, no Memorial RS: Noite de Autógrafos
Encontro com os autores e noite de autógrafos
14/11 – sábado – 19 hs, na Sala Leste do Santander Cultural
Bate papo com Luis Fernando Veríssimo
Tema: Tirinha, charge e crônica: cabem todas no mesmo papel?
Reflexões sobre os papéis da crônica, da charge e das tirinhas no jornal – onde as linguagens se aproximam, onde se afastam.
Participantes: Luis Fernando Veríssimo, Rubem Penz e Gerson Kauer

No Bar Apolinário
Tradicional bar na Cidade Baixa, onde os encontros aconteceram.

24/11 – terça-feira – 19:00 hs – Lançamento e Autógrafos
Endereço: R. José do Patrocínio, 527 – Cidade Baixa, Porto Alegre
Telefone:(51) 3013-0158

40 anos depois de sua criação, e com a benção do Luis Fernando Veríssimo, elas estão de volta. Em outro contexto, em texto, mas com a mesma irreverência. Ainda bem.

Imprensa

NA MIDIA

METRO-COLUNISTAS

ZH-ROGER LERINA

BAGUETE

METRO

RUBEM-REVISTA DA CRÔNICA

COLETIVA-NET

RELEASE

Três Cobras da literatura debatendo o humor

Com inspiração em As Cobras, de Veríssimo, debate abordou de forma leve, porém séria, o humor na era do politicamente correto

Um Luis Fernando Veríssimo falante e participativo, bem diferente da sua imagem característica de tímido, esteve presente na Sala Leste do Santander Cultural, ontem à noite (14), ao lado do escritor Rubem Penz e do chargista Gerson Kauer para debater sobre o humor. “Tirinha, charge e crônica: cabem todas no mesmo papel?” abordou temas como o politicamente correto no humor, as novas tecnologias, os velhos estereótipos, além de temas extremamente atuais, como os ataques terroristas a Paris. [continua]

release completo

Luis Fernando Veríssimo debate crônica, charge e tirinhas na Feira do Livro

No próximo dia 14 de novembro, o escritor Luis Fernando Veríssimo participa de uma mesa de debates na Feira do Livro de Porto Alegre. Com mediação do escritor e publicitário Rubem Penz, e participação do chargista Gerson Kauer, o tema “Tirinha, charge e crônica: cabem todas no mesmo papel” pretende discutir em que momentos as três linguagens se comunicam e quando se afastam.

release completo

Cobras na FM Cultura.

O Rubem Penz, organizador do livro Cobras na Cabeça, conversa com o jornalista Luis Dill, da FM Cultura, no programa Tons & Letras. No próximo sábado, 7, às 11h, ali da Feira do Livro mesmo.

Rubem contará como foi organizar o livro e as expectativas para o lançamento, que acontece dia 12, e o debate com a participação do Luis Fernando Veríssimo e Gerson Kauer (um dos nossos cobras), no dia 14, no Santander Cultural.

Ah! O dial da FM Cultura é 107.7. Pode ser ouvida também na internet…

Cronistas publicam antologia em homenagem à LFV

Obra tem como ponto de partida As Cobras, criação do autor que comemora 40 anos em 2015, será lançada no dia 12 de novembro, durante a Feira do Livro de Poa.

Uma turma de cronistas gaúchos se reuniu durante seis meses na Sala Cinco do Bar Apolinário, em Porto Alegre, para uma tarefa hercúlea: homenagear o mais reconhecido cronista gaúcho e um dos maiores talentos da literatura nacional, o escritor Luis Fernando Veríssimo. [continua]

release completo

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(51) 9123-5540

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