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Coluna do Metro Porto Alegre em 17.10.2012


NOSSA ALMA NOS NEGÓCIOS
Hoje é o Dia Nacional do Profissional de Propaganda, espécie de arauto das marcas e produtos. Homens e mulheres que dedicam seu saber, sua sensibilidade, criatividade e perspicácia em favor dos clientes. Artistas. Com isso, algumas vezes, extrapolaram os limites do comercial, quando não do próprio objeto ou serviço oferecido, para conquistar um espaço cativo em nossos afetos.
Guardo, por exemplo, profunda saudade dos comerciais do Carlton, mesmo odiando cigarros. A malícia de associar a marca ao mundo elegante e idílico de seus filmes e anúncios era indiscutível e, óbvio, discutível. Mas a beleza, sem dúvida, um raro prazer. Ainda no universo fumante, lembro-me de outro: o fino que satisfaz. Era o bordão do Chanceller 100, mas eu dizia se referir a mim, sempre magrinho – segue valendo! E é impossível falar de cigarro sem citar o comercial que virou Lei: Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Horrível. Ótimo.
A simpatia e criatividade fez com que eu decorasse os ingredientes do Chokito e do Big Mac: comerciais bem bolados e executados. Indeléveis. A Coca Cola é outra que sempre investiu muito, e bem, em reforço de marca: é isso aí! E guardo com carinho os jingles dos guaranás Frisante Polar, da infância, e Antarctica com pizza e com pipoca. Líquida e certa foi a influência dos comerciais do Campari: gostava do bíter e, com ele, só eu era assim… Mas, nós viemos aqui pra beber ou pra conversar?
Em tempos duros, a liberdade já foi uma calça velha, azul e desbotada – outro exemplo de comercial que superava o produto e falava de todos nós. Na mesma linha, ainda hoje, no final do ano, desejo que tenhamos um novo tempo, de um novo dia que começou. De preferência, voando na Varig, a jato como o Papai Noel. Sim, sou saudosista mesmo sabendo que o tempo passa, o tempo voa, e o Bamerindus não existe mais, nem a poupança é “imexível”.
Primeiro sutiã, Brastemp, Bombril… Sou grato aos publicitários por dotarem de muita graça e encantamento minhas recordações. Ainda que faça ponderações contra o consumismo exacerbado – e quem me conhece sabe disso –, tenho orgulho de estar em um país que, ano após ano, conquista prêmios internacionais em Publicidade e Propaganda. São profissionais que nos oferecem segundos de encantamento. Fazem história. Por falar nisso, você já viu o último filme da Panvel?
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