Rufar dos Tambores

Fim do mundo

Número 453
Rubem Penz
Uma das maiores curiosidades nessa história de o mundo terminar em 2012 é o friozinho na barriga. Algo parecido com os instantes que antecedem o sorteio de um grande prêmio lotérico: as chances de dar tudo certo (ou, no caso da humanidade, tudo errado) são remotíssimas. Porém, lá estão os maias e mais outros profetas com seus trágicos bilhetes comprados. E bilhetes de profecias de caráter religiosas ou astronômicas sempre ganham a estatura de aposta alta. Mesmo no caso em que nada se tem a ganhar (e tudo a perder), ficamos com uma pulga atrás da orelha: um dia, alguém vai acertar. E se for agora?
O fato é que Nostradamus, astrônomos maias, celtas, hopis, egípcios e outros adivinhadores do destino da humanidade foram muito espertos: atiraram o fim dos tempos para bem longe (deles). Começa que, em muitos milhares de anos, 2012, 2092, 2112 ou 2812 se tornam aproximações plausíveis – errar por pouco é quase acertar. Por outro lado, ao marcar com precisão o dia, afirmando que o juízo final será em 21 de dezembro (nosso caso atual), tempera-se o palpite com verossimilhança imbatível. Ensinam os grandes mentirosos: capriche nos detalhes que tudo parecerá verdade! Burrice, burrice mesmo é dizer hoje que o mundo terminará amanhã – bastam 48 horas para você dever explicações.
Nas teorias conspiratórias que li em sites diversos, o que mais me instiga são os dados grandiloquentes: o que estaria por ocorrer agora, seja lá o que for, repete-se apenas de trinta em trinta milhões de anos, ou coisa assim. Vai ter uma visão macro assim lá na Cochinchina! Alinhamentos de planetas, explosões solares, corpos errantes, tudo concorrendo para o imponderável fenômeno que se repetirá em cataclismos.
A favor dos fatalistas está o caso dos dinossauros. Quem nos garante que, lá entre eles, não havia os Maiassaurus pessimistae ou Nostradamus estragaprazerorum avisando o fim dos tempos? Será que num futuro incerto (daqui a mais ou menos vinte e sete milhões de anos) um ser pensante de poucos centímetros encontrará meu esqueleto para fazer projeções de como seria esse nosso monstruoso reinando sobre a terra? Aí, espero que a computação gráfica me ajude para ficar com a cara do Brad Pitt…
Mas, entre prever o fim do mundo e prever que a previsão estará errada, ainda fico com a segunda opção. Primeiro, porque em meus parcos anos de vida já presenciei muitos enganos, sendo os mais espetaculares a recente virada do milênio e aquele período durante a passagem do cometa Halley – fenômeno astronômico mais mixuruca que já vi. Não que estivéssemos torcendo para que o cometa batesse em nosso solo, ou tirasse um fininho: só não precisava passar tão longe. Segundo, porque não adianta nada corroborar a tese do fim do mundo. Acertando, não se terá ninguém para compartilhar a vitória: “Viu, eu disse, viu, viu!”. Qual será a graça?


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2 Comentários

  1. Maninho, gostaria de compartilhar com teus leitores uma visao pessoal e otimista: Nos todos vamos morrer algum dia!
    Tambem li e assisti sobre profecias Maias, etc, mas assim como voce, fico com a pulga atras da orelha, mas tendo a nao acreditar em um fim tao brusco causado por explosoes solares ou alinhamento de planetas. Nao sei quando nossa civilizacao irah acabar, mas se acabar por estas causas resta-nos o consolo que com questoes cosmicas desta magnitude nao ha nada que possamos fazer a respeito, entao seria melhor aceitar o inetavel, assim como deveriamos aceitar o fato da nossa propria mortalidade fisica. Pobres sao aqueles que decidem morrer pelas proprias maos ou que desperdicam sua vida com prazeres de curto prazo, pois estes estao inteiramente sobre seu controle.
    Nao precisariamos dos Maias ou de Nostradamos para saber que nosso futuro nao serah um mar de rosas. Nossa civilizacao esta indo na direcao errada. Para isso basta apenas voce ler o jornal todos os dias, mas eu tenho esperancas e acredito em milagres. O que sao 5 ou 10 anos para voce? Pouco ou muito? Serah tempo suficiente para planejar a sobrevivencia dos atuais 7 bilhoes para uma elevacao no nivel dos oceanos? Uma elevacao de apenas 1m ja eh tida agora como bastante provavel em um periodo relativamanete curto de tempo e como nossas maiores cidades foram contruidas a beira de grandes leitos de agua e oceanos, isso ja eh suficiente para desalojar uma significativa parcela desses. Talvez 1m a mais de agua nao seria tao destrutivo quanto sermos torrados pelo sol, mas como sempre a ganancia e a luta pelo controle de recursos finitos, ditos escassos, serao suficientes para gerar conflitos que vao causar muita destruicao. O cartel global da energia e petroleo ja nao faz mais nem esforco para esconder seu lado maligno. Hoje sou da opiniao que muitas das teorias da conspiracao que li a respeito nao fazem sentido, mas algumas sao completamente plausiveis, se voce simplesmente para e availia a situacao economica atual, a distribuicao do poder e o completo fracasso social do sistema corrente. Na minha humilde opiniao a se manter como esta, desastre eh a unica conclusao que se pode chegar.
    Sim, eu acho que vamos passar por momentos dificeis em 2012, 2013, 2014, etc e talvez nossa integridade fisica corra um risco maior agora nos proximos 5-10 anos como nunca antes. Se estes problemas vierem porque o sol vai nos torrar ou porque havera um realinhamento dos polos ou algo assim, paciencia. Nao ha nada que possamos fazer a respeito, esta totalmente fora do nosso controle. Mas se nossa integridade fisica for comprometida porque como habitantes desse planeta nos entregamos completamente a servir nossos proprios interesses individuais e, por exemplo, nao conseguirmos mudar nos proximos 10 anos a matrix energetica do planeta (minha aposta sao que as chances sao de 1 em 10) entao merecemos o destino que nos pertence porque isso esta 100% sobre controle dos seres humanos que habitam este planeta. Isso nao eh profecia, eh opcao, e como toda acao tem uma reacao igual e contraria cada opcao leva em si consequencias. Eu acredito na preservacao do espirito e na sua reencanacao, por isso espero que a dor que nos causara os inumeros conflitos e dificuldades que possivelmente iremos passar (e infelizmente mais ainda nossos filhos), sirva como licao e nos ensine a nos tornar em futuras encarnacoes melhores cidadoes deste planeta que tem potencial de voltar a ser o paraiso que dizem ja foi um dia. Com individuos menos voltados a servir a seus proprios interesses e mais a coletividade, que talvez apliquem no seu dia a dia dos mais elevados valores eticos e morais. “The needs of the many outweigh the needs of the few”. “Nao faca ao outros aquilo que nao deseja a si proprio”. O caminho eh simples, mas obviamente exige disciplina, trabalho, amor, dedicacao e generosidade.

  2. Paulinho, não me aventuro a comentar teu comentário… Me basta destacar a última palavra, aquela que, por carência, é a geradora de tantas crises: “generosidade”. Eis a chave. Muito grato e felicidades a vocês, tão distantes, mas perto do coração da gente! Abraços, Rubem e Cia

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