Matéria divulgada na seção Livros A+ do Correio do Povo.com – por Luiz Gonzaga Lopes

Cronos matando a sede de escrita

Postado por redacao em 4 de janeiro de 2014 – LiteraturaOficinas

Escritor Rubem Penz é o mestre da oficina Santa Sede, de crônicas de botequim, que entra no 5º ano

Por Luiz Gonzaga Lopes

“Ora templo, ora perdição; ora o lazer, ora o escritório; ora instante, ora horas. O bar não é dos deuses nem dos demônios: ele é dos homens que têm sede. Antes de tudo, sede de viver. É por isso que talvez  tenha se transformado em fonte primária para os grandes cronistas nacionais que, depois de saírem das redações, sorviam os humores da cidade nos infalíveis botequins (…)”

Rubem Penz – Sede de Palavras, apresentação do livro “Santa Sede Quatro – Crônicas de Botequim – Safra 2013″ (Ed. Buqui)

 

Congregar um dos principais gêneros da escrita – a crônica – com o ambiente mais propício para o surgimento das grandes ideias, algumas vezes desperdiçadas nos dias posteriores, o bar ou botequim, como queiram. Esta foi há quatro anos a hercúlea e prazerosa tarefa de um dos tantos pensadores da literatura no Rio Grande do Sul, o escritor, publicitário e músico Rubem Penz. A oficina de crônicas Santa Sede foi iniciada em 2010, no bar Matita Perê, e seguiu anualmente, mudando-se para o Bar Apolinário (Rua José do Patrocínio, 527, Cidade Baixa) em 2012. “O objetivo sempre foi o de tirar a oficina de dentro da sala de aula e levar para o bar, que era o ambiente onde os grandes cronistas brasileiros da geração dos anos 50 em diante, como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga colhiam os humores da cidade. A gente não escreve no bar, lê e analisa os textos, mas todos criam afinidades, amizades, laços além da literatura, e o botequim acaba contaminando a escrita”, revela Penz.
Dos quatro livros já publicados, o mais recente é o “Santa Sede Quatro – Crônicas de Botequim – Safra 2013 (Ed. Buqui), com crônicas sobre nove temas muito próximos ao ambiente de bar, criadas por nove cronistas egressos da turma de 2013, resultando em 81 textos. Camila Leão, Geraldo Barreto Vianna, Gerson Kauer, José Elias Flores Jr., Linda Grossi, Luciana Farias, Maria Mercedes Bendati, Tiago Pedroso e Vanessa Conz escreveram sobre “Decisão no Palitinho”, “Motorista da Rodada”, “Pelas Esquinas”, “Fiado só Amanhã”, “Isso São Horas?”, “Volte Sempre”, “Olha o Passarinho”, “Abana pro Garçom!” e “À Nossa!”. “A oficina e o livro não são mais uma aposta. É algo consolidado. Este é o livro mais maduro, mais parelho. Tem homogeneidade na escrita e também maturidade na orientação”, destaca Penz.

 

A coisa não pára por aí. Nesta segunda-feira, dia 6 de janeiro, a partir das 19h30min, no Bar Apolinário, Rubem Penz conduz a oficina de crônicas intensiva “Porto Alegre Soa Assim – Santa Sede módulo de verão”. “São quatro encontros em janeiro, em horário e ambiente de Happy Hour. Vamos praticar o gênero por meio de exercício criativos de verão, abordando a influência da estação mais quente na rotina porto-alegrense. É focada principalmente em iniciantes”, explica o mestre do texto em botecos.


Penz também adianta que a quinta edição da Santa Sede já está definida com data entre março e agosto de 2014, com início previsto para o dia 10 de março e previsão de 26 encontros e a publicação do livro Cinco – Safra 2014 em outubro. “Dos nove tipos de crônicas, seis são sempre fixos: artigo, conto, híbrida, resenha, efeméride e prosa poética. Os outros três são sempre variáveis”, finaliza Penz, Informações e inscrições sobre a oficina de verão e a quinta edição do Santa Sede podem ser obtidas e efetuadas pelo e-mail rubempenz@gmail.com ou pelo telefone (51) 9123.5540.

 

Link da matéria original:  http://www.correiodopovo.com.br/blogs/livrosamais/?p=285

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