Oficina celebra a memória de Antônio Maria

 

Para celebrar a memória do cronista Antônio Maria, que em 2014 completa 50 anos de falecimento, e por considerá-lo uma das vozes mais peculiares do gênero, o escritor Rubem Penz organizou em Porto Alegre uma oficina de crônicas inspiradas no autor. O “Maria volta ao bar” reuniu desde março onze cronistas que mergulharam no universo de Antônio Maria e produziram crônicas a partir de epígrafes da sua obra. O resultado poderá ser conferido em um livro a ser lançado no próximo dia 15 de outubro – o mesmo dia em que um ataque do coração vitimava Maria em 1964.O projeto de “Maria volta ao bar” é um desdobramento da oficina “Santa Sede: crônicas de botequim”, organizado por Penz há cinco anos e que a cada edição apresenta novos cronistas para a comunidade. A exemplo desta, a oficina de Antônio Maria teve como sede o Bar Apolinário, na Cidade Baixa (bairro boêmio de Porto Alegre). Lá aconteceram encontros semanais e, a cada quinze dias, uma nova rodada de epígrafes era distribuída entre os autores. As crônicas escritas eram debatidas por todos e, ao final, cada autor escolheu cinco para fazer parte da publicaçãoO objetivo do projeto não era imitar ou se apropriar do estilo de Antônio Maria, mas fazer dele um estímulo à escrita sensível e intensa. “Era como se ele próprio estivesse em nossa mesa, opinando de modo generoso sobre a construção literária”, explica o organizador.

Além de crônicas escritas pelo próprio Penz e por Felipe Basso, co-organizador do projeto, a oficina contou ainda com os textos de Dora Almeida, Gerson Kauer, Linda Grossi, Luciana Farias, Mariana Marimon, Roberto Marques, Tiago Pedroso, Vanessa Conz e Zulmara Fortes.

Antônio Maria, um protagonista à sombra

De todos esses nomes, os únicos que já possuíam livros do pernambucano Antônio Maria em suas bibliotecas particulares eram Rubem Penz e Felipe Basso. O cronista, atualmente, está longe de ter a popularidade que a crônica concede a nomes como Rubem Braga e Paulo Mendes Campos. Penz, no entanto, atribui a ele um protagonismo entre os nomes do seu tempo e sugere que o esquecimento se deva à sua morte prematura e a um possível descuido dos herdeiros em manter viva a memória de Antônio Maria.

Mas o que exatamente a crônica de Antônio Maria tem de especial? É Penz quem explica: “Se fosse para escolher uma só palavra, ela seria sensibilidade. Ele era alguém sempre a flor da pele e contaminava seus textos com essa tanta sensibilidade. Humorado de forma sutil, depressivo de maneira desbragada, mordaz na apreciação dos papéis sociais, não saberia dizer o quanto, mas influenciou seus pares na forma de escrever”.

O cronista lembra também que Maria gostava muito do contato com o público, respondendo de modo espirituoso as cartas que lhe mandavam. Os próprios cronistas também receberam e responderam cartas, publicadas no blog da oficina. “Foi divertidíssimo!”, resume Penz.

SERVIÇO:

Lançamento do livro de crônicas “Maria volta ao bar”
Dia: 15/10 (50 anos da morte de Antônio Maria)
Horário: 20h
Local: Bar Apolinário, Rua José do Patrocínio 527, Porto Alegre/RS

maria

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