Número 504

Pedidos de Natal

Rubem Penz

Transcrevo para vocês a carta de uma amiga (oculta). Não para o Papai Noel, escreveu para mim, mesmo.

“Caro Rubem, meu drama, em detalhes…

Sabe como é fim de ano: tempo que, ao se aproximar a grande festa, temos a sensação de que aquele que tudo vê e tudo sabe (pois a ele tudo confidenciam) vai nos brindar com algo especial. E garanto que fui uma mulher comportada. Quer dizer, em regra, pois até quem é de ferro ora derrete. Além do mais, como me arrependi de cada pecadilho cometido, tenho direito à clemência.

Só que fui um pouco imprevidente e deixei tudo para a última hora. Ultimíssima: dezembro já corre solto no calendário feito gato que tomou susto. Se agosto é o mês do cachorro louco, dezembro é o mês do gato em disparada… Mesmo assim, considerei que deveria ser atendida no meu modesto pedido.

Liguei para ele no telefone convencional, mas uma mensagem gravada informou que aquele número estava fora de operação ou temporariamente desligado. Tinha o celular anotado em algum lugar. Demorou, mas achei. O pior é só deu na caixa de mensagens. E, depois de um tempo, indicou estar fora de área.

Entrei no Face e lá estava ele, sorrindo para mim. Perfil cheio de amigos e de fotos. Tanto carinho! Para não me expor ao ridículo, optei por uma mensagem na caixa postal (ele não estava conectado). E mofei esperando pelo retorno. Raiva! Pior é que eu via postagens recentes. O danado entrava, postava e saía. Ou está usando assessoria de imprensa. Pode ser, né? Novos tempos…

Quem sabe responderia um e-mail? Ilusão. Escrevi uma, duas, dez mensagens e nada. Estava tão aturdida que corri o risco de ser ríspida – mau negócio. Para alívio de consciência, a última mensagem foi me desculpando pela insistência, sabia que a época era ruim, muito em cima do laço para ser atendida e tal. Deixei meus números de telefone para retorno. Escrevi que o deixaria em paz.

Quem disse que cumpri? Nada! No dia seguinte estava na mesma neura: primeiro no fone convencional. Aí Celular, Facebook, e-mail, tudo e nada. Agora, cada vez mais em cima do Natal, duvido que seja atendida. Isso não é justo.

Com carinho,

Fulana de Tal

Morri de pena. Queria eu mesmo fazer algo por ela, mas quem sou eu para substituí-lo? Ficamos com a moral da história: cabeleireiro – cuide de marcar o seu com previdência. Nem o Noel consegue vaga de última hora!

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