Crônicas de Botequim

Tô me guardando, pra quando?

Tô me guardando, pra quando?

Rubem Penz

Quer coincidências? Quase na mesma semana, o depoimento de uma das minhas tias e o novo programa da ministra Damares para o Carnaval, ambos casando sexo e fé. Comecemos pela tia…

A conversa nem era comigo, e não se tratava exatamente de uma queixa – combinava mais com uma constatação. Para a tia, restava crer que o tio era um homem bom de cama. Afinal, fora seu primeiro e único, com décadas de felizes bodas. E mulheres “do seu tempo”, sem nenhuma ilusão, sabiam que a recíproca jamais precisou ser verdadeira.

Sobre Damares, ela deseja convencer jovens a evitar gravidez e DSTs pela técnica da abstinência. Aliás, sobre isso, formulou uma interessante analogia entre alma, corpo e fita adesiva. Se eu entendi, a fita, quando colocada em um braço e dele retirada, perde um pouco de sua cola. E, a cada nova grudada em outro braço vai-se enfraquecendo a ponto de não mais prender. Ou seja, a cada novo parceiro ou parceira, nossa alma perde sua capacidade de conexão com outra alma.

O drama em questão é evitar mulheres experientes e, por consequência, exigentes.

Combinando as duas histórias, damo-nos conta de que a cola sempre está no lado mais frágil: o da mulher. No agir dos ovos, é sua castidade e virtude que conta – basta uma alma íntegra para fixar o casal, garantir a família coesa e os laços insolúveis. Aliás, melhor mesmo que o homem se divirta bastante fora do casamento para estar seguro de ter pouca cola. De preferência com fitas de vida fácil, lógico. O perigo mora nas fitas virgens…

Esqueça as fitas. Esqueça as almas. O drama em questão é evitar mulheres experientes e, por consequência, exigentes. Plenas no direito de saber quão bom de cama é seu homem, não apenas ter fé. Machismo transfigurado em religião. E estou tranquilo em opinar pois, em meus preceitos morais, jamais simpatizei com hábitos promíscuos. Entre a castidade e promiscuidade, fico com a meia-luz, ideal para jogos amorosos mais seguros, íntimos e livres de culpa.

Ok: vai lá, Damares. Tenta, tá valendo. Mas, hoje, nem minha tia vai grudar nessa.

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