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Bateu o terceiro sinal

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Rubem Penz

O primeiro sinal aconteceu em 2013 – o povo tomou as ruas com o protagonismo dos jovens por 20 centavos, mais e menos. Mais: voz, igualdade, liberdade. Menos: preconceito, doutrinação, partidos (se você não lembra, eu lembro bem o que acontecia nas manifestações quando alguém tentava desfraldar a bandeira de alguma sigla).

O segundo sinal, ainda ontem, em 2015 – o povo tomou as ruas com o protagonismo da classe média pelo fim da corrupção e em apoio à Lava Jato, mais e menos. Mais: gestão, justiça, liberdade. Menos: violência, privilégios, partidos (se você não concorda, tudo bem, mas a maioria dos verde-amarelos não terá pena se, ou quando, todas as siglas forem incriminadas).

O terceiro sinal acaba de ser dado – o povo esvaziou as urnas, colocando em xeque a estranhíssima ditadura da democracia, o tal voto obrigatório. Em Porto Alegre, por exemplo, a soma de brancos, nulos e abstenções venceu o vencedor. Nunca se falou tanto em política e – incrível! – jamais os partidos estiveram tão por baixo, o sistema tão desacreditado, as velhas fórmulas tão questionadas. Veja só que oportunidade!

O enfraquecimento dos partidos (destes nossos partidos) está longe de ser a derrocada da democracia. Aliás, poderá vir a ser a sua salvação. Hoje, no modelo posto, os políticos, todos, trabalham para si: para garantir continuidade, impunidade, privilégios. O Estado existe para si: para garantir continuidade, impunidade, privilégios. Para quebrar este círculo vicioso, é preciso negar sua legitimidade. Dizer de todas as formas: eles não nos representam.

Depois dos sinais dados, há dois cenários. O bom: reforma política de verdade (doerá na carne), gestão pública de qualidade (amigos funcionários públicos, isso é muito com vocês), transparência, fim de pornográficos privilégios, menos burocracia, justiça justa. Demitir, pela urna e pela pressão das ruas, quem usurpa os bens do povo sem devolver o que deve: decência, civilidade, paz. Saúde, segurança, educação e cultura.

Claro que há um mau cenário… Nele, o avanço da intolerância (uns contra outros e vice-versa), dos falsos profetas, dos radicais e dos demagogos. Porém, isso apenas se movimenta no vácuo. Com a cabeça no lugar e o protagonismo dos que ainda creem na política elevada, no Estado servidor, na formação de consensos e no valor da honestidade, agendas meritórias à esquerda e à direita tanto podem quanto devem prosperar. Eu acredito.

Políticos, escutem os sinais. São espontâneos e não vêm nem dos escaninhos dos palácios, dos gabinetes ou dos diretórios da oposição. Escutem as ruas. Estão surdos, ou o quê?

 

Crônica publicada no Metro Jornal em 01.11.2016

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