Rufar dos Tambores

Número 232

UM NOME SINGULAR

 

Vou tratar de um tema que todos conhecem bem: nossos nomes. Existem duas formas de escrever o nome próprio de alguém: a certa e a errada. Porém, existem nomes com diversas grafias e, para estes, são três, quatro ou cinco as maneiras de escrevê-los. Surge, assim, uma nova categoria: a forma certa, a errada e a possível. Veja o meu caso: há o Rubem, o Ruben e o Rubens. Eu, por escrito, sou o primeiro. Contudo, os outros, como direi, são quase meus nomes. Tanto que atendo por eles sem pestanejar – nem dou ouvidos ao sibilar no final.

 

A visão é muito mais severa neste julgamento de certo e errado: quando olho para a folha – ou para a tela – as variantes do meu Rubem desagradam. Não morro por causa disso, claro. Mas adoro quando adotam o modelo correto. Se o equívoco acontece em documentos, cartazes e certificados, diligente, peço para que seja corrigido. Mas em cartas, e-mails e mensagens triviais, até em dedicatórias – paciência, o autor já escreveu –, faço vista grossa. Ninguém tem culpa de existirem vários Rubens (aí é o plural). Respondo as mensagens eletrônicas na grafia com a qual fui batizado e bola para frente, esperando um dia ganhar por insistência. Ou não.  

 

Quem inveja esta minha tripla grafia é o Luís Antonio. Não, não: o Luiz Antônio. Ou seria Luís Antônio? Já sei: Luiz Antônio! Ai, ai… Peço ao Luiz Antonio, caso esteja lendo o texto, que me perdoe, pois quando o nome é composto, o problema (e a dúvida) se multiplica. Além do mais, na língua falada, nenhum dos Luizes se diferencia do outro. Nem os Antonios. Logo, para quem escuta, tanto faz. E quando chega a hora de escrever é um Deus-nos-acuda! Complicado, não? Olha que nem chegamos aos sobrenomes.

 

O H é uma letrinha madrasta em se tratando de confusões nominais. Principalmente quando sem som. Helenas, Heloísas e Heitores que o digam. Uma das passagens mais engraçadas que já soube em matéria de H me foi contada pelo grande amigo Helio Vicente. Parece que aconteceu diante de uma atendente de crediário. Ele ditou para ela o seu nome: Helio. Ela começou a escrever “El…”, quando foi interrompida: – Moça, desculpa, é com H – disse ele. A profissional ergueu os olhos com enfado, como quem pensa que é claro que só pode ser com H, está me tirando para burra? E lascou na folha: “Elho”!

 

A livre tradução dos estrangeirismos, marca nos dias atuais, está causando um verdadeiro reboliço nos nomes escritos. Não sei onde andam os tradutores que ainda não viram o filão de mercado que é atuar em cartórios de registros naturais. A falta deles está abrindo uma lacuna para dezessete maneiras diferentes de escrever Michael, por exemplo. Doze delas em guris com idade de jogar futebol. Nenhuma como o correto Miguel, óbvio. Em casos assim, acertar o nome do sujeito por escrito passa a valer ponto de loteria. Johnny, o diminutivo de John (João), também varia muito na escrita. Mas, Joãozinho, nem pensar… Outro nome campeão de possibilidades é o da princesinha de Mônaco: Stephanie. Algum tradutor sabe qual é o sinônimo deste nome em bom português?

 

 

Se você tem um nome que pode ser escrito de várias formas, ou um nome estrangeiro, ou um complicado, pense bem: que paz ser simplesmente Ivo, Eva, Maria e José. Também, por outro lado, que tédio… Como este não é o meu caso, até já criei duas frases feitas para acertarem meu nome. Antes de escreverem, quando me perguntam se o final é com “n ou m”, respondo: é com “m” de Márcia – e ganho um pontinho com a patroa.   Agora, quando nada perguntam e escrevem Rubens, eu corrijo: não é plural, sou um só. Piada infame, porém funcional.    

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