Metro - Porto Alegre

O preço da honestidade

Coluna do Metro Porto Alegre em 13.03.2013

O PREÇO DA HONESTIDADE

Peço licença à totalidade da população para falar apenas com a maioria. Ainda com a maioria, quero crer. Mas já não arrisco chamar de imensa maioria. Nela contidos, certamente, eu e você. Falar por quem desde o berço aprende a ser honesto. Das tantas mazelas, sofrimentos, prejuízos. Também de nossa culpa, pois não se deve confundir honestidade com inocência.

Dizer que estive comprando roupas numa dessas grandes lojas de departamentos. Antes de levar, provei. Antes de provar, tive que parar diante de um funcionário que está ali apenas para me entregar uma placa com o número de peças que serão levadas para trás da cortina. E conferir se eu tinha nas mãos cada uma delas quando deixei o provador. Nós, os honestos, pagamos para o rapaz estar ali – seu custo está embutido nas mercadorias.

Mas não é tudo. Depois, na hora de pagar, a funcionária do caixa “desarmou” um controle embutido numa etiqueta para que a roupa não apite na saída, comprovando minha lisura. Além do tempo dessa operação, que onera os honestos, somos obrigados a arcar com o custo adicional desse alarme em cada uma das peças que está na prateleira.

Se já está ruim, ainda pode piorar: suponha o número de peças de roupas que estão expostas, vezes o número de lojas que dessa cadeia, sem falar no estoque que não está visível, e imagine a quantidade de etiquetinhas de segurança que estamos bancando. E a loja só faz isso porque, caso não se previna, o índice de furtos de roupas superará tal custo, o que também será repassado ao cliente. Isto é, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Não gosto de ser um estraga-prazeres. Porém, cumpro o triste ofício de jogar uma luz sobre o tema: cada vez que você passa por uma câmera de monitoramento, os honestos estão pagando para ela estar ali (chore, você está sendo filmado). Diante de cada haste de cada grade de cada propriedade pública ou privada há um custo que os honestos pagam. Em cada bala de cada pente de cada arma de fogo de cada segurança público ou privado há um custo ofertado ao cidadão honesto. E o caríssimo seguro patrimonial é repartido entre nós.

Disse no princípio para não confundirmos honestidade com inocência. Sabe por quê? Porque temos culpa. Nossa culpa é achar isso tudo normal, correto, assim mesmo. Os pais já não educam mais os filhos nem a sociedade prioriza a cidadania, deixando-nos “cada um por si”. A crise de valores tem alto custo. Alguém se beneficia. Alguém paga.

 

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3 Comentários

  1. Prezado amigo, concordo plenamente com teu ponto de vista, porém, quando tiveres tempo, por favor fale do quanto, nós honestos, temos que pagar por Seguros contra roubos de Automóveis ou tantos outros bens que conseguimos, ao custo de muitas dificuldades, adquirir. Um abraço,
    Renerio

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