Rubem Penz

Para além de jumentos e elefantes (EUA) ou tucanos e sapos, a editoria de política vem oferecendo cobras e lagartos. Portanto, ao invés das siglas, cada vez mais vazias em termos de conteúdos pragmáticos, ficaria interessante pensar em nossos representantes no Executivo e Legislativo assumindo postos em partidos identificados por bichos, forma significativa e lúdica. Imaginei alguns, ainda que o (e)leitor possa ter ideias melhores.

Partido das Lagartixas – agremiação feita sob medida para políticos os quais, no momento em que são encurralados, soltam o rabo para livrar o próprio corpo. Ótimo partido para os cabeças, péssimo para os cargos mais abaixo, na altura do rabo…

Partido dos Camaleões – sigla para político especialista em disfarçar suas verdadeiras intenções, mover-se de modo a não chamar a atenção e escapar sorrateiramente das CPIs, investigações do Ministério Público, etc.

Partido das Falsas Lagartas – radical! Primeiro, todos pensam que serão políticos-borboleta, enquanto na verdade evoluem para políticos-vespa. Depois, pela capacidade de parecerem maiores do que são na medida em que se movem aglomerados.

Partido das Abelhas – ideal para membros com pouco brilho individual (operários da causa, por assim dizer), vassalos de um político-rainha. Se atacados, assumem alto grau de letalidade. Mas são mansos sob cortina de fumaça, liberando o mel da coisa pública a terceiros.

Partido dos Louva-deuses – agremiação meio traíra: logo depois do pleito, arrancam a cabeça do eleitor para benefício próprio. Diz-se legitimada pela teoria da evolução da espécie. Oh, Darwin!

Partido dos Crocodilos – lugar em cujas fileiras estão os homens públicos que choram enquanto devoram quem se coloca no caminho. Está com pena? Fica ao alcance deles para ver o que é bom…

Partido das Hienas – sigla para abrigar o verdadeiro exército de suplentes ou candidatos absolutamente desconhecidos guindados pelo quociente eleitoral. Não caçam nenhum voto, mas devoram a ceia pública rindo de todos.

Partido das Raposas – aglutinando voluntariosos representantes da sociedade dispostos a sacrificarem suas vidas em prol do coletivo, cuidando do galinheiro como só as raposas sabem fazer.

Pensando bem, não daria certo: nenhum deles se parece com esses bichos, justiça seja feita. Aos bichos.

Crônica publicada no Metro Jornal em 24.03.15

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