Colocamos em uso aqui em casa um conjunto chiquérrimo de sabonetes. Vanessa ganhou de presente. Embalagem linda – diferenciada –, perfume interessante, cores fora dos padrões, marca de prestígio e explicação ecológica – sim, há quase um livrinho acompanhando os sabonetes. Sabe aqueles sabonetes que dá pena de usar? Vontade, vontade mesmo é de colocar ali no balcão da pia, de enfeite? Desses.
O mais interessante é que, já no primeiro contato com a pele, lembrei do Lux, do Palmolive ou do Francis que ficava na saboneteira do nosso banheiro na Praia do Barco. Lá atrás, no tempo em que toda a família usava o mesmo sabonete, o mesmo xampu e, já com um poder aquisitivo de classe média, o mesmo creme rinse. Lá quando, e olhe lá, algum produto diferente era só para bebês de fralda. Um tempo em que a voz continuava a mesma, mas o cabelo, quanta diferença!
Por que me lembrei? Explico: pior do que um cabelinho ser esquecido no sabonete, era o banhante anterior a nós tê-lo deixado cair no chão, se lixando para quem viesse depois. Lá no Barco, como em qualquer outra praia, por mais que houvesse um chuveirinho prévio na rua ao voltarmos do mar – de água gelada, é claro, pois fortalece o caráter –, era impossível não sobrar um pouco de areia. Ela, então, ficava ali no chão do box ou da banheira, esperando a queda do sabonete para subir na vida. Era quando esfregávamos no corpo uma lixa 100.
E não é que esses sabonetes chiquérrimos caíram todos no simbólico chão da box da Praia do Barco já na fábrica? Agora se diz “esfoliantes”, e vendem como grande coisa. Se não cuidarmos, vai a sangue. Arranhar, arranha sempre. Segundo consta, previne foliculite, deixa a pele macia e retira células mortas. Essa informação deveria me ter chegado há cinquenta anos!
– Manas, garanti o seguinte pra vocês: uma pele hidratada, uniformizada e, de quebra, vocês terão a circulação estimulada de graça. Sem risco de foliculite, acnes e células mortas. Mas foi sem querer, um acidente.


Eu comprava sempre o Francis. Estava sempre, sempre, com o preço em promoção. Mas a compra não rebaixava minha autoestima porque o nome do sabonete trazia um grande garbo. Me trazia a lembrança do país requintado, do tremendo cineasta, do renomado pintor, até do santo mais admirável. En fait, c’était très chic!
Naquele tempo era bem assim: 90% Francis, Palmolive ou Lux. O restante podia entrar um Phebo…
Abração, Milton!
Que legal 😎 Um assunto tão simples rendeu uma crônica pra lá de boa! Preciso me inspirar nisto! Obrigada!
Ah, Ângela – esse é o segredo da crônica! Quanto menor o assunto (grãos de areia?), melhor!
Obrigado, beijos