Marcelo, Iara e eu.

Santos intercedem por nós

Há momentos na vida em que tudo transcorre sem obstáculos, na rotina, nada de surpresas ou sustos. Dias inteiros fadados a serem esquecidos, quando acontecidos não alcançam nem de perto o status de acontecimentos. Outros, não: podem ser vividos carregados de mistérios, trazendo expectativas, impondo desafios. Exigindo milagres. Para estes últimos, é preciso ter fé. Também é bom contar com influência. Por exemplo, para católicos, um Santo de devoção.

Por tradição familiar, meu Santo predileto é o Santo Antônio. Quem chegar aqui em casa, ao passar pela porta da frente, olhando para a direita e para cima, verá uma imagem dele, simpático, segurando Jesus menino no colo. Uma prateleirinha dedicada que não chega a ser um oratório propriamente dito, uma vez que é uma estatueta delicada. Está ali desde sempre e, temendo incêndios, só deixa o local quando vou oferecer-lhe uma vela – escolho um lugar mais seguro.

Como não sou daqueles de acender uma vela para cada Santo, Antoninho fica encarregado de levar meus pleitos aos colegas especialistas em suas causas (a especialidade de Santo Antônio é ser casamenteiro, lembram? Pois é: sem piadas sobre isso, por favor). Se há uma batalha adiante, ele troca assuntos com São Jorge. Se o caso é reverter algo complicado, Santo Expedito ou São Judas Tadeu – o que estiver mais perto no momento. Perdi algo? Peço a ele que leve meu apelo ao São Longuinho, e assim por diante.

Depois de um Pai Nosso, Ave Maria e Santo Anjo, agradeci pelas bênçãos que tenho na vida.

Como no caso de quarta-feira passada. Um arranjo quase perfeito de agendas colocou os colegas da Oficina Santa Sede presentes para a foto oficial do livro “Versão dos fartos”, nossa homenagem ao Moacyr Scliar (liguem-se, autógrafos em outubro). Digo quase porque faltou a Ananyr, mas já combinei com ela e resolveremos… O problema é que marcava chuva – nosso espaço era ao ar livre. E fez atípicos 32°C na tarde de outono, começando um vento sintomático ao cair da tarde. Vento de temporal. Eu precisava muito de uma mãozinha de São Pedro.

Como cheguei antes da hora (sou prevenido), tive tempo de andar quadra e meia até o Pão dos Pobres. Comprei duas velinhas: uma verde, para saúde, e uma branca – tipo coringa, para qualquer pedido. Depois de um Pai Nosso, Ave Maria e Santo Anjo, agradeci pelas bênçãos que tenho na vida. Roguei um olhar para os parentes, lembrei-me do tio Irmão Arnaldo (pedi que seguisse a olhar por mim) e, quase como quem diz um “ah, aproveita”, solicitei uma forcinha com a chuva. Uma janela de tempo – que segurasse até às nove da noite.

Contrariando a lógica – para não dizer “por milagre” – parou até o vento. Santo Antônio deve ter falado com São Pedro, intercedendo por nós. Altino, o homem sem fé, encontrará a explicação em alguma mudança de pressão atmosférica. José Alfredo ficou impressionado com o alcance de minha influência. Já eu credito ao Antônio, a quem devo minha fé.

6 comentários em “Santos intercedem por nós”

  1. É o meu santo também. Fica juntinho da imagem da Virgem de Fátima (para quem entreguei a proteção de meus filhos e sobrinhos).

  2. Altino, "o homem sem fé"

    Muito boa!
    Coisas se explicam a partir da sua devoção.
    Santoninho vai ter muito trabalho…

    1. Rubem Penz

      Uau! Assinatura de comentário com epíteto!? Altino abrindo uma nova página aqui no site. Obrigado e, sim, concordo.

  3. RONALDO ALBE LUCENA

    Quando a coisa estiver difícil por aqui, apelarei ao Rubem. Tá mais enturmado com os santos pra interceder por mim.

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