Posso ser honesto? (Continuação)

– … e então, o que você acha que devo fazer?

– Posso ser honesto?

– Não, óbvio!

– Óbvio?

– Se eu precisasse de honestidade, perguntaria para quem eu sei que não gosta de mim, quem tem inveja ou ressentimento e não mediria as palavras. Uma reação que beira a crueldade. De você eu espero mais.

– Espera mais… o quê mesmo?

– Sei lá, um julgamento capaz de ver a floresta, não a árvore. Tá, não me olha assim, é um argumento meio lugar comum, mas dá pra entender, né? Você me conhece, sabe como eu sou, o que penso, meus valores, minha história, meus pais, meus irmãos, meus filhos. Daí consegue ser mais, mais…

– Condescendente?

– Compreensivo! Não é que eu esteja pedindo para relativizar, sabe? Apenas para colocar em perspectiva, uma visão mais ampla e, ao mesmo tempo, mais próxima.

– Interessante…

– Já sei: espero de você amizade. É isso! Abri meu coração porque confio em nossa amizade. Amigo, amigo mesmo não abandona o outro com julgamentos sumários, frios, impessoais. Amigo de verdade é como mãe, tem um amor, como vou dizer…

– Cego?

– Incondicional. Tá, outro clichê, hoje estou terrível. Você é meu amigo assim, ou não é?

– Posso ser honesto?

*****

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9 comentários em “Posso ser honesto? (Continuação)”

  1. Fernanda Quadros

    Perfeito Ruben!! Sem dúvida a Santa Sede é a melhor oficina pra quem deseja iniciar nesse universo maravilhoso das crônicas.

  2. “Meu caro Carlos Drummond de Andrade,

    Eu estava para lhe escrever desde a minha volta ao Recife. Não o havia feito até agora, porém, não só com o receio de provocar uma correspondência que bem sei inoportuna, como também por adivinhar que não me poderia ver livre, nem mesmo numa carta, de certa dificuldade de comunicação que me é particularmente penosa, principalmente tratando-se de uma das pessoas com quem mais no mundo eu gostaria de vê-la desaparecer.”

    É o João Cabral de Melo Neto escrevendo.

    Recorro a ele.

    Se cuida bem.

  3. Rubem Penz

    Os humores do João eram bastante apreciados… Ou não, como diria o octagenário baiano.

    Você também

    1. (Escrevi do celular, não vi o corretor errar. Se puder me faz o favor de corrigir o sobrenome do escritor, de Malo para Melo, e a palavra Recorto para Recorro, que foi o que quis digitar. Obrigada.)

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