Umbu das rodas

Uma das características humanas para ser festejada todos os dias – e jamais ser calada – é a diversidade. Diversidade de culturas, de pensamentos, de afetos, escolhas e interesses. Somos naturalmente plurais e por isso tão fascinantes. Quem cultiva o bom hábito da curiosidade vai encontrar surpresas a todo instante.

Um bom exemplo aconteceu neste final de semana, quando ganhei de presente um romântico passeio a dois pela Serra Gaúcha. Chegamos em Gramado no pós-festa do 50° Festival de Cinema, com a cidade ainda decorada para o evento, algum ar de ressaca e muito movimento para aproveitar o final de semana perfeito: um pouco de frio e o céu absolutamente azul. Sotaques diversos, diversas opções gastronômicas e de lazer.

Antes, porém, ensaiamos estacionar ali pelo Km 203 da BR 116, em Picada Café. Desistimos por causa do movimento. Eram dezenas – centenas? – de motocicletas diante da Tenda do Umbu, que não conhecíamos, indicando ser, no mínimo, um bom paradouro. Guardamos o endereço na memória para conferir na volta.

Quem cultiva o bom hábito da curiosidade vai encontrar surpresas a todo instante.

É aqui que o cinema e o motociclismo se juntam para compor o quadro da diversidade: nunca tive moto e achava “coisa de filme” as comunidades de motoqueiros com suas máquinas potentes, roupas de couro, bandanas, sensualidade. Porém, conversando com o pessoal da Tenda do Embu no almoço de retorno, descobri já ter passado muitas vezes pelo ponto de encontro do pessoal sem nem desconfiar.

Mais abaixo, em Esteio, o Parque da Expointer já estava prontinho para abrir a feira do ano e lá, com certeza, uma turma tão expressiva – ou ainda mais – estará pilchada e trocando informações, fazendo negócios e festejando o interesse por cavalos (só para ficar igualmente montado). Para um homem urbano, a vida sobre uma sela também parece que existe só nos filmes de cowboy…

Eis o melhor dos mundos: há espaço para todas as preferências e cinéfilos, motociclistas e ginetes podem conviver em harmonia, sem precisar desmerecer quem prefere um ou outro. Ao contrário: admirando o que existe de diferente e reconhecendo o que há em comum – nossa vontade de estar em grupo.

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Cronistas, só para aproveitar o gancho, podem rumar ao Apolinário (República, 552) nesta quinta-feira para nosso lançamento do livro Mulheres icônicas (ou seria ic{r}ônicas?). Convite feito!

4 comentários em “Umbu das rodas”

  1. Miguel Nácul

    Abraço e feliz aniversário amigo Rubem! A subida à Gramado nos fins de semana via “Rota Romântica” possui esta curiosidade. Centenas de motociclistas (ou motoqueiros, sei lá) trocando experiências, confraternizando, passeando, curtindo sua paixão pelas motocicletas, tão fascinantes quanto perigosas e que me dão tanto trabalho nos meus plantões do HPS.

    1. Rubem Penz

      Querido colega Miguel, muito obrigado!
      O final de seu comentário coincide com minha admiração a distância das motocicletas. Acho lindo, emocionante, mas perigoso…
      Abraços!

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