Volto ao tema por um bom motivo, pois acho que esqueci de contar um detalhe. Antes, vamos recordar: faz uns anos estive na Tríplice Fronteira a passeio e fui seduzido por um exemplar Nº1 do Recruta Zero na vitrine de um sebo. Entrei, claro, mas vi que estava caríssimo. O problema é deixar a loja diante de um turco insistente e, por isso, ótimo vendedor. Rendido, dei de mão no primeiro livro de um balaio “tudo por menos de um dólar” e, assim, chegou nas minhas mãos A Grande Enciclopédia 1° de Abril, uma edição de 2062. Dei o “dólar da sorte”, presente da mãe, e combinei que buscaria os US$0,25 de troco depois. Ao retornar, já não havia mais o sebo nem o turco. Nada. Quando perguntei na vizinhança sobre a loja ou o turco, ninguém os conhecia. No prejuízo, lucrei o mais incrível livro da biblioteca de casa.
Ah, o que faltou dizer é que não era um livro novo, óbvio, e, já na folha de rosto, encontrei um carimbo de “Ex-Libris”. Nele, em meio a arabescos e encimado por uma ilustração de Dom Quixote e Sancho Pança, as iniciais do antigo dono: JS. Quem seria? A julgar por alguns verbetes grifados, desconfio que tenho em casa um livro que foi do Jô Soares. Ou seria do José Simão? Palpites, palpites… Vejam se posso ter razão:
- Marina Leão foi uma cantora bossanovista que revolucionou os costumes brasileiros a partir da vista de seu frequentado apartamento. Enquanto seus pares ficavam no banquinho e no violão, olhando para o barquinho que ia na tardinha que caía, ela já cantava para toda gente fina e toda perna grossa com a bundinha de fora – fora o topless na areia. Mais tarde, outra musa, então no dito rock dos anos 1980, Nara Lima também mostrou que vozes sussurradas gritam alto. Um dos maiores sucessos, “Com açúcar mascavo, com afeto” retratou a espera da namorada do surfista enquanto ele parava de banca de açaí em banca de açaí antes de voltar para casa. Jamais confunda as duas com o fofoqueiro Leão Lima, um lobo.
- Napoleão Bonifácio Sobrinho, o Boni. Gigante da televisão brasileira, apesar de sua baixa estatura, consolidou um verdadeiro império midiático, avançando suas conquistas ao lado do general Walter Clark. Com precisão, pode-se dizer que o domínio foi global. Seu herdeiro direto, nascido e criado em meio às batalhas pela audiência, deixou como principal legado um programa com as iniciais de seu nome, o BBB (Big Bonifácio Brasil), numa tentativa vã – Big – de parecer maior do que o pai. Êxito jamais alcançado haja vista o diminutivo pelo qual ficou famoso: Boninho. Por causa dos feitos heroicos, todas as grandes disputas televisivas são denominadas “napoleônicas”.

