– Oi. Me disseram que vocês têm teorias conspiratórias aqui. É verdade?
– Não sei. Quem disse?
– Não posso dizer quem disse: sigilo de fonte.
– Bom, neste caso, não posso confirmar nem negar. Mas, em hipótese remota, essa teoria que você procura é pra uso próprio ou veiculação?
– Faz diferença?
– Toda. As domésticas poderiam ser enquadradas em informação privilegiada e guia de compras no supermercado (enlatados, água e papel higiênico), ou bilhete de viagem só de ida pra país distante. As outras, potencialmente virais, hummm, mudam a escala.
– Teria ambas? Em hipótese remota, claro…
– Só posso adiantar que elas existem.
– E são mais de viés de esquerda, ou mais de viés de direita?
– Em hipótese remota?
– Obviamente.
– Para tal suposição, preciso saber se a fonte, ainda que esteja em sigilo, é progressista ou conservadora.
– Supostamente?
– Por óbvio.
– Bom, há mais de uma. Dezessete, na verdade. De matizes variados no espectro político.
– Dezessete? Você diz que fomos indicados por dezessete fontes?
– Aproximadamente.
– Ai, Deus. Preciso mudar a forma de atender no balcão. Essa informação deveria vir antes de nossa conversa se tornar tão comprometedora. Hipoteticamente.
– Por quê? Não entendi.
– Porque, pra tanto, nossos supostos produtos já estão sendo pirateados.
– Hipoteticamente?
– Nem tanto…

