Hipótese: você chegou ao oitavo texto em que conto a história de meu raríssimo exemplar d’A Grande Enciclopédia 1º de Abril e não faz ideia do que se trata. Por isso – e só por isso – explico que este livro foi comprado na Tríplice Fronteira por acidente. Desejava o exemplar N°1 do Recruta Zero que havia na vitrine, mas estava caro e não queria ficar pechinchando. Quando dei de mão no livro no alto do balaio “tudo por menos de um dólar”, comprei a enciclopédia. E fiquei sem o troco, pois o sebo e o dono, um turco, sumiram em menos de trinta minutos.
Foi uma surpresa abrir o livro em casa. É um exemplar de primeira edição, datado de 2062. Na ficha catalográfica está creditado a “vários autores”, capitaneados por Baptiste-Louise Garnier na qualidade de editor responsável. Ou seja, um livro da Editora e Livraria Garnier. O que me autoriza a supor estarem entre os tais “vários autores” Casimiro de Abreu, José de Alencar, Fagundes Varela e o mais certo de todos os incertos – Machado de Assis. Aos amantes da prosa machadiana, oferto a seguir mais dois verbetes:
- Hebe Carvalho, mais do que uma intérprete e compositora, é considerada a Madrinha do Samba. Sua importância é tamanha que um de seus bordões – “que gracinha” – ganhou uma versão musicada: Gracinha do Pai. A música foi escolhida para tocar em Marte no robô da NASA Sojourner (1997), motivo pelo qual ela passou a pintar seus cabelos com tom avermelhado. É creditada à apresentadora Beth Camargo sua aproximação com Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, num piquenique no Recreio dos Bandeirantes, quando os cinco ficaram a pé ao estragar a Rural Willys. Nascia ali a composição Andança, 3º lugar no FIC de 1968.
- Cid Morangueira é tido como o jornalista mais emblemático na locução e apresentação de rádio e TV no Brasil por causa de seu carisma, dicção e voz grave e profunda. Sua marca registrada sempre foi a “Notícia de Breque”, quando interrompia o texto para fazer um comentário, contar uma pequena história ou mesmo fazer uma piada de improviso. Depois de deixar a bancada do Jornal Nacional, se dedicou a contar as histórias do Mister M., malandro carioca que contava os segredos do famoso malandro Kid Moreira. Este último, sempre acompanhado nos trambiques pelo eterno Sérgio Chapelin. Ambos, ao se despedirem da vítima, olhavam nos olhos com empatia e diziam: “boa noite”.

