— Sabe que horas são?
— Não sei.
— Mas você está de relógio!
— Sim, estou.
— Pode me dizer as horas?
— Posso.
— Deus, é hoje… Que horas são?
— Duas e meia.
— Custava me dizer isso lá na primeira pergunta?
— Ué, mas eu disse que não sabia porque não sabia. Agora sei.
— Precisa ser tão literal?
— Preciso.
— É hoje, Deus… Por quê?
— Treinamento. Minha mulher diz que eu nunca respondo o que ela pergunta. Estou tentando corrigir isso: agora respondo exatamente o que me perguntam.
— E está funcionando?
— Nem de perto.
— Por que você acha que não está funcionando?
— Porque, quando respondo o que ela pergunta, ela começa a perguntar outras coisas até eu dizer o que ela quer saber de verdade. Se ela pergunta que horas são e eu digo “já estou quase pronto”, ela diz que nunca respondo o que foi perguntado.
— Tentou responder “duas e meia”?
— É o que tenho feito. E ela diz que é sarcasmo, que eu sei que a pergunta foi retórica.
— Tenho a saída: responda com outra pergunta.
— Isso funciona?
— Por que você quer saber?
— Hummm… Gostei. Lá vem ela, ali, ó. Posso dizer que você me orientou?
— Sobre o quê?

