Ideia: renunciar a tudo o que mais acredito e, despido de qualquer traço civilizatório, chamar cronistas para compor um beligerante grupo de canceladores. Único cuidado: quotas. Esquerda, direita, conservadores e progressistas em equilíbrio. Um monarquista e um anarquista para temperar o caldo. Tema principal? Adivinha! Prudente, delimitarei na ementa algumas fronteiras que não devem ser extrapoladas no transcurso do debate.
I – Das manifestações sonoras:
§ Gritos jamais podem ultrapassar 69 decibéis – limite antes de danos auditivos (eu mesmo estarei de protetor auricular).
II – Do contato corporal:
§ Qualquer toque capaz de gerar hematomas com mais de cinco centímetros quadrados, fratura de ossos ou dentes será passível de expulsão do grupo.
III – Das ofensas:
§ Estão liberadas, desde que deixem as mães de fora;
§ O grupo precisa estar consciente de que estão ali para discordar de modo vil. Nada do que for dito ou feito poderá ser judicializado (aceite assinado em três vias com firma reconhecida);
§ A sexualidade, a honra e a honestidade sua e alheia serão desrespeitadas quase como dever de ofício.
IV – Das atitudes:
§ Os textos podem ser rasgados, amassados e queimados. Simular higiene íntima com o texto alheio, desde que por cima das roupas, por favor;
§ Moderação suficiente para que objetos do bar estejam inteiros ao final da aula.
V – Das disposições gerais:
§ Não haverá qualquer proteção a grupos minoritários ou fragilizados – talvez a indicação de capacetes e outros EPIs;
§ Plena igualdade de sexo, classe e cor. De alunos idosos(as), precisaremos de atestado médico;
§ “Você sabe com quem está falando” será aceito, quase estimulado, pois é um dos melhores disparadores de agressão;
§ Proibidas apenas as respostas como “é a tua” ou “é o teu” pela pobreza argumentativa – estamos ali para vivenciar uma atividade cultural.
Eu sei, é uma má ideia. Péssima.
Mas… e a tentação?


Muito bommmm…..
A tentação é grande… hahaha
Talvez a maior dificuldade seria dormir depois de cada encontro, Patrícia!
Abração!
Huuumm… Tentador. Às vezes, o pensamento faz tudo isso, enquanto o sorriso amarelo estampa o rosto.
A tentação não é tão forte assim, Jordana. Imagina a energia que isso pede em termos de condução? Deusilivre! Beijos!
Dentro!
Hahahahahaha! Prepara o atestado, Silvio. 🙂
O título pareceu-me especial, na medida em que, no lugar de usar uma palavra, aplica uma noção matemática para notar o inverso (da convivência): na menos um, registra, ao cabo, o inverso, no caso do significado da expressão que “está na menos um”. Lembrei de quando usava em minhas aulas de Física o 10 na -1 para significar o inverso de 10, ou 1/10.
Abraço, Penz
Gianotti, merecer sua leitura já é prêmio maior do que o esperado por um título inventivo.
Muito obrigado por me lembrar de mais uma de suas criativas estratégias de prender nossa atenção!
Abraços, Rubem
Muito massa, professor!
Muito obrigado, Ataíde! Abração
Estou na vibe “paz e amor”, já tenho beligerantes suficientes por perto, de corpo presente ou virtualmente. Até as eleições, preciso manter as forças, vai ser puxado suportar. Não daria conta de participar desse seleto grupo.
Desejo êxito na empreitada e que todos possam sair ilesos ou com poucas avarias sanáveis. Ah, e também que as amizades sejam preservadas, o que julgo improvável.
Obs.: o comentário de Carlos Alberto me fez lembrar que em matéria de perfeitamente, não há nada que não reste a menor dúvida (boiei legal na física, que, se ele não fala, eu juraria ser matemática) hahahaha
Obrigado, Jacqueline!
“Paz e Amor” para mim é mais que vibe, é estilo de vida. Mas não deixou de ser divertido de imaginar essa mesa!
Sobre o Gianotti, ele foi um daqueles professores inesquecíveis que temos durante a vida escolar. Uma figura!
Abraços, Rubem