Número 398
SIM, NÃO, TALVEZ Rubem Penz Apesar de sermos todos iguais perante a lei, as diferenças entre homens e mulheres vão muito além da fitinha azul ou cor de rosa grudadas em nossas cabeças de recém nascidos. Isto é fato notório e explorado com razoável frequência. Mesmo assim, nos divertimos muito cada vez que constatamos o
Número 397
SEM RISCOS Rubem Penz Vejo na TV o caos da Segurança Pública no RJ. Antes, li atentamente a reportagem de capa de uma importante revista semanal brasileira. Trata-se de entrevistas (quase uma centena) com homicidas. Investigou-se o que pensam e sentem aqueles que cometem este crime capital. Estão ali os que matam por razões passionais,
Número 396
TÚMULO DA POESIA Rubem Penz Um filho, uma árvore e um livro. Três chances de você passar pela existência terrena deixando algum legado, pequeno que seja. O filho tendo filhos (e estes outros filhos) faz com que sua carga genética se perpetue. Uma árvore crescerá, oferecendo sombra às gerações vindouras. Também frutificará e, semeando novamente
Número 395
NÃO ACHO NADA Rubem Penz Quem acha vive se perdendo Noel Rosa Nos dias correntes, de superexposição, há quem esteja confundindo dois conceitos muito diversos: a opinião e o palpite. Opinião é (ou deveria ser) resultado de uma análise de conjuntura, um ponto de vista fundamentado. Ou, no mínimo, produto de uma consistente reflexão. Neste
Número 394
TADINHA Há quem goste de se colocar na posição de coitadinho. Provocar pena. Fragilizar-se. Diferente dos naturalmente humildes, ou dos inseguros, o coitadinho proposital faz uso metódico de sua posição sofredora. É um profissional da esmola, algo que pode ser (e é) muito mais do que a tradicional ajuda monetária no semáforo. Coitadismo é artifício,
Número 393
DEPOIS DO CAIS VEM A ÁGUA Rubem Penz Já são incontáveis os anos de espera para os porto-alegrenses verem a sua área portuária revitalizada e finalmente integrada à cidade. Ao olhar para Buenos Aires e seu Puerto Madero, ou para o Porto de Lisboa, dois bons exemplos, submergia a inveja. Agora, a expectativa parece estar
Número 392
BONDE CRÔNICA Rubem Penz Há uma memorável crônica de Paulo Mendes Campos com o seguinte título: Por que bebemos tanto assim? Fala de bares, é claro, e traz algumas pérolas. “É preciso escolher bem o nosso bar, pois tão desagradável quanto tomar um bonde errado é tomar um bar errado.” Em nove de março, convidei
Santa Sede Crônicas de Botequim Safra 2010
Santa Sede é uma oficina de crônicas que acontece que habitat natural de grandes expoentes do gênero: a mesa de bar. Logo, é propositalmente contaminada pela energia do ambiente, está sujeita às interferências e aos humores do entorno e tem exigência o ímpeto para se fazer ouvir. Concebida para gerar uma antologia, a Santa
Número 391
FUMAÇA DE FRANGO Quando a mamãe sorridente do comercial de supermercado retira o frango dourado do forno, cuidando para não queimar as mãos na assadeira, a coisa não é bem assim. Durante a gravação a ave não só está fria, como também envernizada e banhada por produtos químicos. São efeitos especiais para fazer aparecer a
Número 390
ESTERILIDADE Rubem Penz Os pais foram tudo para Regina. Diz que viveu anos de verdadeira realeza durante a infância: quando pedia, ganhava. Quando desejava, acontecia. Quando implicava, era aquilo nunca mais. Para todas as escolhas ela tinha preferência. Dormia até quando julgasse suficiente, deitava quando queria – jamais teve o sono violado. À mesa, só
Número 389
NOEL, ADONIRAN E GARDEL Rubem Penz Quem é você, que não sabe o que diz? Meu Deus do céu, que palpite infeliz… Noel Rosa Este ano, eu, o violonista Maurício Marques e o cantor Dudu Sperb fomos selecionados para Circuito Arte Sesc – Cultura por toda a parte, promoção do SESC/RS. Juntos, formatamos um espetáculo
Número 388
CERVEJA DE PANELA Rubem Penz Ser um homem feminino não fere o meu lado masculino Baby, Didi e Pepeu Gomes Foi-se o tempo em que uma moça deixava a casa dos pais apenas para se casar. Durante este período, ainda recente em nossa memória, lar era quase sinônimo de família. Tanto que havia toda uma
Número 387
DE CABO A RABO Rubem Penz Lembro daquela tarde como se fosse hoje: o parque estava cheio e o céu aberto. No horizonte, nuvens em rabo-de-galo prometiam chuva em, no máximo, 48h. Mas quem pensava tão longe enquanto a primavera juvenil brilhava no firmamento? Eis que, de rabo de olho, noto a chegada da mais

