– Vai, aproveita e fala sobre o tema.
– Qual tema?
– O que aconteceu. Vai, vai!
– Falar o quê?
– Fala que não pode, claro!
– Não pode o que aconteceu ou falar de tudo o que não pode?
– O que aconteceu.
– Certo, é, não pode. Posso dar um panorama que explica o que não pode?
– Não pode.
– Por quê?
– Porque com o panorama alguém poderá pensar que pode.
– E não pode…
– Não pode.
– Certo, é, não pode. Posso começar imaginando outro cenário para corrigir o que já não podia e que, se fosse deste outro jeito, aconteceria de…
– Não! Nada de cenário, nada de panorama, nada de contexto, nada, nada, nada. Só o que aconteceu e que não pode.
– Por quê?
– Porque precisa ser simples: pode ou não pode.
– E não pode.
– Isso, não pode.
– E se alguém perguntar o que mais não pode?
– Aí diz que não é a hora de falar sobre o que mais não pode, só sobre o que aconteceu e não pode.
– Perfeito. Começo com tudo, então: já no primeiro parágrafo, digo que a Agatha sumiu quietinha por uns minutos e usou em si as maquiagens da Vanessa. Isso não pode…
– Peraí, era nisso que você estava pensando?
– Ué, claro: naquilo que aconteceu e não pode! Ou pode?


Hahahaha, mestre, adorei! Pode escrever mais crônicas assim, que nos arranquem sorrisos e risos até!
Anabela, com todo o prazer! Muito obrigado!
Maravilha, Rubem. Prenunciando o grande estilo LFV.
Sim, sim, já estou no ritmo! Abração
Fantástico Mestre Rubem!!
Muito obrigado, Rafa! Beijos na família!
Genial! O contexto histórico atual nos conduz para outro tema e a surpresa nos pega direitinho ao final. Aliás, esta sua crônica é uma aula de subgênero e escolha estilística/formal. Delícia de ler e ótima para fomentar reflexão.
Obrigado, Cristina! E, sim, ela depende do momento em que foi publicada para funcionar. É a primeira crônica anedótica que faço na qual nem o tema disfarce, nem o ocukto, estão visíveis. Obrigado, abraços!