Eis que, como de praxe, o prefeito comparece à abertura do Carnaval. Está com sua esposa e filhos, vestem-se com elegância e demonstram reverência ao Rei Momo e suas princesas. Porém, quando chegam ao momento da entrega simbólica da chave da cidade, o protocolo sofre um contratempo.
– 172341.
– O quê, senhor prefeito?
– 172341. A chave da cidade.
– Perdão. Ainda não entendi…
– Nossa cidade tem orgulho de ser a capital da informatização, Sua Majestade. O que lhe ofereci é o código de acesso à Prefeitura. Ou seja, a chave da cidade.
É quando uma das princesas, mostrando espanto, atravessa o enredo:
– Senhor prefeito, você acaba de tornar pública a chave da cidade. Todos ouviram. Eu mesma decorei: 172341.
– Pensamos nisso. O Monarca Carnavalesco precisa, antes, fazer o cadastramento de sua biometria. Só então terá acesso através dos números.
– Mas, então, bastava pedir ao Momo o cadastramento da biometria – remendou a princesa batendo o sapatinho – de modo a deixar a senha desnecessária.
Foi quando a primeira-dama municipal achou aquela princesinha, a qual, parece, até era a segunda princesa, muito saliente e resolveu entrar na conversa:
– Filhinha, meu amor, se fosse assim, o prefeito acabaria pedindo algo ao Momo, ao invés de oferecer-lhe. Não é só debaixo dessa tiara que existem cabeças pensando, tá bem?
– Tia, 172341? Ninguém pensou em nada melhor? Palhaçada!
– Palhaçada!?
Às pressas, Momo, prefeito, dois assessores e o fotógrafo precisaram intervir para dar um breque na discussão. Três blogueiras correram em apoio às princesas e a esposa do líder da Câmara de Vereadores começou a passar mal. No meio do tumulto, ninguém viu o debate entre o estagiário de informática e seu líder:
– Eu avisei. Eu disse. Eu dei a alternativa.
– Um cartão com um QR Code num envelope colorido? Não ia adiantar nada.
– Cerimonial, chefe. Tem que entregar alguma coisa. Eu avisei. Eu disse.


Ter dois pinos sobrando.
Antes isso, que um faltar…
Obrigada.
😀
Obrigado, Auri!